Taubaté fechará cadeia pública, palco de mortes e rebeliões

As grades da cadeia pública de Taubaté serão removidas na próxima semana, junto com os 289 detentos que hoje se espremem em 15 celas, com capacidade total para 80 homens. Os presos serão transferidos para o Centro de Detenção Provisória (CDP), que será inaugurado na segunda-feira, em Taubaté. A nova penitenciaria, que custou R$ 5,7 milhões ao Estado, terá uma área construída de 6 mil metros quadrados e capacidade para 768 homens. Este será o 11º CDP do Estado e segue os mesmos moldes dos demais, com celas mais amplas e revestimento de placas de aço para evitar fugas e túneis. A cadeia de Taubaté tem 38 anos e, há pelo menos 20, representa risco para os vizinhos. Está localizada na avenida principal de entrada da cidade, numa área de belas casas e prédios. A desativação significa uma alívio para os moradores e também para a polícia. "Agora teremos apenas três celas de triagem, e o resto será transformado em outras dependências da delegacia", diz o atual diretor, Francisco Amêndola. Ele ressalta que, com a retirada dos presos, a polícia terá mais tempo para cuidar da segurança pública, "estando livre da função de vigiar quase 300 homens diariamente", ressalta o delegado. Violentas rebeliões marcaram a instalação nos últimos quatro anos. Em 1997, um motim durou 17 horas e deixou as 20 celas completamente destruídas. Em 1998, inúmeras fugas foram registradas. Em 99, a maior rebelião durou 27 horas e dez feridos. Já no ano passado, dois detentos morreram, outros dez ficaram gravemente feridos. Deste quadro, a polícia conclui que a transferência é também um alívio para os detentos e suas famílias. O comerciante V.E., que tem um irmão de 20 anos preso por tráfico, diz que "sua mãe está mais tranqüila" e que "agora eles, pelo menos, vão dormir em camas e não haverá tanta sujeira". O CDP será inaugurado ao meio-dia da segunda-feira e as transferências, de 30 em 30 presos, começam a partir de terça-feira, dia 11.

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