Taxista salva vítima de seqüestro-relâmpago em Santos

A Polícia Militar acompanhou o táxi através do circuito de câmeras da Prefeitura de Santos instaladas na orla

Rejane Lima, Agência Estado

27 de fevereiro de 2008 | 20h36

O taxista Eduardo Julio Neto, de 30 anos, não quer ter fama de herói. Três dias depois de ter impedido que o seqüestro relâmpago contra uma moça de 18 anos pudesse acabar em tragédia em Santos, na Baixada Santista, ele decidiu não falar mais com a imprensa, temendo pela sua segurança. "Eu me arrependi de ter aparecido na televisão, não quero falar mais nada", disse à reportagem do Estado após ter aparecido em alguns canais de TV.   O crime aconteceu por volta das 22h50 da última segunda-feira. A promotora de eventos Jéssica Cristina Teixeira Jorge, de 18 anos, estava saindo da casa de uma amiga no bairro da Pompéia quando foi abordada por Jean Harrison Jucelino, que hoje (28) completa 30 anos. O bandido - que fingia estar armado, mas na verdade possuía uma bermuda enrolada embaixo da blusa para fazer volume - levou a jovem para a praia, poucos metros dali.   "Daí eu comecei a chorar, e ele dizia que não ia me estuprar não, começou a falar que eu era bonita e casaria comigo. Disse que só queria que eu sacasse R$ 100", desabafa Jéssica. A jovem chegou a sugerir que o bandido levasse seu cartão e senha, mas ele fez questão de que ela o acompanhasse. Juntos, eles caminharam até o Banco do Brasil mais próximo, porém como a agência estava fechada, a moça sugeriu que fossem a um caixa eletrônico 24 horas.   Seqüestrador e vítima foram a um ponto de taxi na avenida Pinheiro Machado. Ela pediu que o motorista os levassem até o caixa mais próximo. "Essa que foi a minha sorte, o Eduardo (taxista) era jovem e percebeu que havia algo estranho, pois eu estava arrumada e o Jean não, o cheiro dele ia longe. Talvez se fosse algum motorista mais velho não perceberia isso", explica Jéssica.   Depois que o casal dirigiu-se ao caixa eletrônico do Posto Texaco, na avenida Ana Costa, no bairro do Gonzaga, o taxista Eduardo telefonou para a polícia. Quando os dois retornaram ao carro, ele deixou o telefone ligado e repetiu o destino dos seus passageiros para que os policiais ouvissem. "Ele perguntou para onde nós iríamos e ainda repetiu: ‘canal dois com a praia’", afirma Jéssica.   A Polícia Militar acompanhou o táxi através do circuito de câmeras da Prefeitura de Santos instaladas na orla. Depois que bandido e vítima desceram do automóvel, várias viaturas fizeram um cerco e prenderam Jean, que respondia em liberdade por latrocínio e roubo a carro forte. Ele foi encaminhado para a cadeia anexa ao 5º. Distrito Policial de Santos.

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