Taxistas já não atendem policiais em Araraquara

Com medo de virarem alvo do Primeiro Comando da Capital (PCC), motoristas de táxi e mototaxistas já não atendem policiais fardados e agentes penitenciários com uniforme em Araraquara, a 275 quilômetros de São Paulo. "Se dão sinal, finjo que não vi e passo direto", disse o mototaxista Fernando Carmo Campesan, de 31 anos. Seu colega Carlos Alberto Gallo, de 22, adotou o mesmo procedimento. "Nada contra eles, mas ficou arriscado demais." O motorista de táxi que se identificou apenas como Antonio conta que teve a impressão de ser seguido por dois homens em uma moto quando levava um policial. "Agora, se me chamam dou uma desculpa." A cidade de 200 mil habitantes vive em estado de pânico desde que virou foco de atenção do crime organizado por causa da penitenciária superlotada. Cerca de 1,4 mil presos estão confinados em três pátios de 30 metros por 30 metros. Na noite de sexta-feira, um ônibus foi incendiado e duas lojas, apedrejadas. Boatos de que haveria novos ataques em shoppings e cinemas praticamente esvaziaram as ruas em pleno sábado à noite. Alterações na rotinaPor conta da onda de violência, a população da cidade começou a mudar sua rotina. O estudante Arthur Baptista Lopes, de 16 anos, que é escoteiro, não saiu de casa. Neste domingo, antes de sair de bicicleta pelo centro, teve de ouvir as recomendações dos pais. "Eles estão super preocupados." A esteticista Silvana Oliveira, de 37 anos, transformou num "churrasquinho dentro de casa" a programação que faria com amigos de Minas Gerais, em visita à cidade. "Eles estavam tão preocupados que pensaram em cancelar a vinda. A primeira coisa que perguntaram é se eu morava longe do presídio." O operador de máquinas Ricardo Dal Olio, de 36 anos, passou a levar a mulher de moto para o trabalho. "Por uns tempos ela não vai pegar ônibus." Quando sai à noite do trabalho, o medo dobra, segundo ele. "Meu capacete é preto e tenho medo também da polícia, pois sei que eles (policiais) estão com o nervo à flor da pele."

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