Taxistas paraguaios continuam em protesto contra Receita

A fronteira entre Brasil e Paraguai viveu nesta quinta, 1º, mais um dia de temor, o que vem acontecendo desde o início da semana, quando taxistas e motoristas de vans paraguaios decidiram fazer um protesto contra o que consideram rigor da Receita Federal brasileira na fiscalização do contrabando. Com medo de que possam ficar retidos em um possível fechamento da ponte, a maioria dos motoristas brasileiros está evitando ir ao Paraguai.Mas, segundo a Polícia Federal, durante a tarde, alguns automóveis já estavam se aventurando a fazer o trajeto. Durante o dia o que mais se viu foram sacoleiros percorrendo a pé os 550 metros, carregando grandes bolsas com mercadorias. Desde o ano passado, a Receita tem intensificado o trabalho de fiscalização e, em cumprimento à legislação, passou a apreender inclusive os veículos que transportam mercadorias para fins comerciais.Os paraguaios não aceitam que os transportadores sejam responsabilizados e punidos pelas mercadorias de seus clientes. A repressão no lado paraguaio, nesta quinta, não foi tão ostensiva como nos dias anteriores, quando a tropa de choque precisou ser acionada para controlar os ânimos e evitar o bloqueio total da passagem. Mesmo assim os sindicatos que representam os motoristas paraguaios mantiveram o protesto na aduana em Ciudad del Este.A Receita estima que desde o início do ano foram apreendidos aproximadamente 750 veículos que estariam transportando mercadorias ilegais. Desse total, cerca de 10% com placa paraguaia. Apesar do protesto, o órgão fiscalizador garante que não diminuirá o rigor. Com o movimento, os taxistas conseguiram que fosse criada uma força-tarefa com autoridades paraguaias que deve visitar as lojas de Ciudad del Este na próxima semana, com o intuito de examinar a situação dos cerca de 6 mil brasileiros que lá trabalham. Aqueles que não estiverem de acordo com a legislação, que prevê residência fixa no Paraguai, poderão ser impedidos de continuar no trabalho.Pela manhã, o presidente do Paraguai, Nicanor Duarte Frutos, esteve em Ciudad del Este para a inauguração de uma escola. Ele chegou e saiu da cidade sem comentar os protestos.

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