ALESSANDRO BUZAS/FUTURA PRESS
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Taxistas travam Rio em protesto contra Uber

Motoristas criticam o que consideram lentidão da prefeitura e da Justiça para proibir o serviço que funciona por meio de aplicativo

Constança Rezende, O Estado de S. Paulo

01 Abril 2016 | 09h02

RIO - Taxistas do Rio de Janeiro promovem manifestações em diferentes pontos da capital fluminense em protesto contra o aplicativo de carona paga Uber e contra o que consideram lentidão da prefeitura e da Justiça para proibi-lo.

Os profissionais dirigem com lentidão em vias de grande movimento, como Avenida Brasil, Via  Dutra, Ponte Rio-Niterói, Rodoviária Novo Rio e nas proximidades dos aeroportos Santos Dumont, no Centro, e Antônio Carlos Jobim (Galeão), na Ilha do Governador. A manifestação foi articulada via redes sociais. As concentrações começaram durante a madrugada, em pontos combinados em São Cristóvão, Copacabana e Ilha do Governador.

Na Avenida Atlântica, em Copacabana, após reunião no Posto 6, taxistas ocupavam, no início da manhã, as três faixas da pista sentido Centro. Dirigiam muito lentamente. Também foram afetadas vias expressas, como a Linha Amarela e Linha Vermelha, com grande engarrafamentos. Taxistas de Niterói e São Gonçalo apoiam  a manifestação e se deslocaram em massa para a capital.

Um dos manifestantes,  o taxista Ernane Nunes contou que participa da manifestação para pressionar o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), a ser mais rigoroso com o Uber. "Nosso dinheiro está sendo tirado por um grupo que ninguém sabe quem é. Enquanto nós  fazemos quatro vistorias por ano, eles não fazem nada e não são cobrados como a gente, em toda esquina", argumentou.

Passageiros que desembarcam no Aeroporto Santos Dumont, no centro do Rio, durante a manhã, não encontram táxis para se deslocar pela cidade. Por causa do protesto,  os motoristas que fazem o ponto no aeroporto estão paralisados, com os taxis estacionados em ruas paralelas. Os taxistas que ensaiam furar o movimento e tentam embarcar passageiros são hostilizados pelos  que aderiram à greve. O policiamento está reforçado na região. 

Há aglomeração de passageiros na porta do aeroporto a procura de táxis. Funcionarios da Infraero estao orientando-os a pegar o ônibus ou fazer a pé os seus trajetos pelo centro.

O bancário Frederico Tinoco, que chegou de São Paulo, era um dos que cogitavam a segunda opção.  "Tenho uma reunião no centro e estou há meia hora tentando um táxi. Se soubesse dessa greve nem teria embarcado para o Rio hoje.  Estou pensando em fazer o meu trajeto a pé, mas, com esse calor e usando terno, a caminhada de 30 minutos não vai ser boa. Acho que a luta deles contra um serviço não homologado é justa,  mas manifestar parando a cidade acho errado. Vira bagunca", disse.

A taxista Maria da Graça Fernandes, de 68 anos e há 20 taxista, passou pelo aeroporto com o carro enfeitado com bandeiras do Brasil. "Não é justo eu, que trabalho na madrugada, ver um carro particular, o passageiro entrar, e a gente fica olhando. Gasto R$ 700 reais de taxas todos os anos para manter o custo do carro", reclamou.

Desconto. O  Uber divulgou nota em que informa que dará desconto de R$ 20 aos passageiros que tenham como início ou término em uma lista de locais afetados pelo movimento. A relação é a seguinte:  Metrô General Osório (Ipanema),Sanz Peña (Tijuca), Central do Brasil, Nova América e Pavuna; Terminal Alvorada; estação ferroviária de Madureira; estações de barcas da Praça 15 e de Niterói; terminais de BRT Santa Cruz, Campo Grande, Ilha do Fundão, Taquara e Tanque; e terminais de ônibus de Ribeira, Terreirão (Recreio) e Américo Ayres (Méier). Cada usuário terá direito a uma viagem entre 07:00h e 18:00h, nesta sexta-feira, 1, nas opções uberX e UberBLACK. O desconto será aplicado automaticamente. O Uber também lançou o hashtag #ORIONAOPARA. / Colaborou Wilson Tosta

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