TCU pede esclarecimentos sobre novo aeroporto em MG

Ministro diz que tomou a decisão após saber que aeroporto estaria pronto e não entrou em operação

Felipe Maia, Agência Estado

01 Agosto 2007 | 20h52

O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Benjamin Zymler, determinou a coleta de informações junto à Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) sobre a construção do Aeroporto Regional da Zona da Mata, localizado na cidade mineira de Goianá, a cerca de 280 quilômetros de Belo Horizonte. Em nota, o ministro informa que tomou a decisão após tomar conhecimento de informações de que o aeroporto estaria praticamente pronto, mas ainda não entrou em operação. Zymler quer que o TCU apure, ainda em caráter preliminar, a existência da pista de pouso e se ela se encontra sob administração da Infraero. Em caso positivo, determinou a inspeção das condições de utilização da pista, do ponto de vista da segurança. Quer saber também qual é o prazo para conclusão das obras e os custos envolvidos, esclarecendo se há fontes de recursos suficientes para isso. O ministro pediu também que se apure a existência de estudos que posicionem o aeroporto mineiro como saída para atenuar a concentração do fluxo aéreo na cidade de São Paulo. A pista do aeroporto mineiro mede 2.515 metros, ou seja, é quase 30% maior que a de Congonhas, em São Paulo, que tem 1.940 metros. Com isso, estaria apta a receber aviões de grande porte. A assessoria de imprensa da Infraero informa que a estatal não pode esclarecer essas questões, já que não é a responsável pela obra. "Não podemos falar sobre o que não existe. E se o aeroporto não está homologado, ele não existe para nós", informou a estatal. A responsável pela homologação do aeroporto é a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Segundo o governo de Minas Gerais, foi cumprida hoje a última exigência feita pela agência para que o processo de homologação, iniciado em 16 de março de 2006, seja concluído. A Infraero mediu a rugosidade da pista do aeroporto e considerou que esse índice está dentro dos padrões necessários para operação. O teste foi realizado hoje, após pedido da Anac realizado na última sexta-feira à Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas do Estado. O governo de Minas informa que, assim que a Anac liberar a pista, o aeroporto poderá operar para vôos diurnos. Os noturnos ainda dependem da liberação da carta de aproximação (mapa) em elaboração pela Aeronáutica, o que deve demorar cerca de três meses. A construção do aeroporto da Zona da Mata já consumiu mais de R$ 77,1 milhões, desde que as obras foram iniciadas em agosto de 2001, sendo que R$ 66,5 milhões vieram do Estado e R$ 10,6 milhões do governo federal. A construção foi terminada em junho deste ano. Ainda faltam cerca de R$ 49,3 milhões, a serem investidos na melhoria das vias de acesso ao aeroporto. Minas promete realizar essas obras assim que a Infraero assumir a operação do terminal.

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