Técnicos avaliam nesta sexta vazamento na barragem de Campos Novos

O vazamento no túnel de desvio da barragem da hidrelétrica de Campos Novos (a 370 km de Florianópolis), na divisa entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul, poderá demorar até três meses para ser reparado. Somente no final da tarde de sexta-feira é que técnicos poderão chegar ao local, onde um vazamento, detectado no ano passado, agravou-se na última semana. O presidente da Campos Novos Energia, Ênio Schneider, afirmou nesta quinta-feira que em 15 dias o consórcio responsável pelas obras deverá entregar um cronograma dos trabalhos de reparo."Para o início das operações, temos duas variáveis: quanto tempo vai demorar para ser possível fechar o reservatório e quanto tempo vai levar para ser enchido novamente", disse Schneider. No ano passado, foram necessárias duas semanas para o preenchimento do reservatório, mas agora poderá levar mais tempo devido à estiagem.De acordo com o presidente da Enercan, embora o reservatório esteja vazio e o Rio Canoas tenha voltado a correr em seu leito original, à montante da barragem, nesta quinta-feira só foi possível observar de longe o local do túnel, que estava sob um coluna de água de 150 metros. Na sexta-feira, os antigos acessos deverão ser recuperados para que os técnicos possam fazer a vistoria. Schneider explicou que o vazamento não comprometeu a usina porque ocorreu no túnel utilizado para desviar o rio, que é uma estrutura isolada. A construtora Camargo Correa descartou a possibilidade de a ruptura ter sido provocada pelo material utilizado na obra, iniciada em 2001.O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) divulgou nota alertando para a possibilidade de os 20 mil moradores das margens do rio Canoas terem problemas com a liberação da água do lago. Mas isso não ocorreu, segundo Schneider, porque o excesso foi absorvido pelo reservatório da usina da Machadinho, 40 km abaixo, que passou dos 20% de sua capacidade para 85%.A hidrelétrica de Campos Novos, com investimento de R$ 1,5 bilhão, tem uma barragem com 202 metros de altura, a mais alta do mundo do tipo enrocamento. Sua capacidade instalada é de 880 MW, a serem gerados por um conjunto de três turbinas.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.