Telas alternativas para quem curte um cineminha

Filmes na tenda, no caminhão e na laje reúnem apaixonados pela telona em várias regiões de SP

Edison Veiga, O Estadao de S.Paulo

15 de maio de 2009 | 00h00

Para quem quer fugir do circuito comercial, não faltam opções de cinemas alternativos em São Paulo. Há desde iniciativas esporádicas, bancadas por empresas e com data para acabar, até projetos fixos com programação constante. O clima informal favorece o encontro de amigos com o interesse comum: a paixão pela sétima arte. Parte da programação da 13ª edição do Cultura Inglesa Festival, os curta-metragens Timing (de Amir Admoni, Débora Mamber e Felipe Grytz), She?s Lost Control (de Daniel Augusto) e Olhos de Fuligem (de Denise Vieira Pinto) vêm sendo exibidos nas 34 unidades da escola de inglês em São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Desde quarta, os filmes também estão "em cartaz" em um cinecaminhão que percorre oito locais da Grande São Paulo.Ele ficará estacionado nas sedes das ONGs Associação Meninos do Morumbi, Acer (Diadema), Projeto Vizinho Legal (favela do Jaguaré) e Paidéia Associação Cultural (em Santo Amaro); e nas escolas públicas David Zeiger (em Parelheiros), Alberto Salotti (Cidade Dutra), Johann Gutemberg (Jaçanã) e Guilherme de Almeida (Cangaíba). "Esperamos que, no total, 2 mil pessoas sejam atingidas pelo projeto", afirma o coordenador do festival, Laerte Mello. "Estamos formando uma plateia diferenciada." A programação segue até o dia 23.Outro projeto que contribui para a popularização do cinema é o Cine Tela Brasil, capitaneado pelos cineastas Laís Bodanzky e Luiz Bolognesi. Criado em 2004 para exibir filmes nacionais a comunidades de baixa renda, o Cine Tela já percorreu 225 cidades e realizou 2.672 sessões. Até agora, 525.544 espectadores assistiram a pelo menos um dos 77 filmes em projeções. Na capital paulista, as próximas sessões acontecerão entre 25 e 27 de junho, em Sapopemba. PERIFERIAO cinema da periferia não fica no shopping nem cobra ingresso. Se o tempo colabora, o teto é estrelado. Tem até lanterninha, com uniforme e tudo. A pipoca é grátis, cortesia de Zé Batidão, dono do bar homônimo que empresta a laje para a exibição dos filmes. Em cartaz, o Cinema na Laje, projeto do poeta e agitador cultural Sérgio Vaz. "Fizemos o Cinema Paradiso da periferia", diz ele, em alusão à película italiana Nuovo Cinema Paradiso, de 1988, escrito e dirigido por Giuseppe Tornatore.Ele se refere, obviamente, a uma das cenas mais pungentes da fita, quando, após um incêndio que destruiu o cinema, o projecionista decide exibir ao ar livre, na praça. Na laje do Zé Batidão cabem até 150 pessoas. "O shopping assusta um pouco o povo das quebradas", acredita Vaz. Desde março, as exibições acontecem duas vezes por mês - sempre na primeira e terceira segundas, às 20 horas. Na estreia, o público conferiu dois documentários: Povo Lindo, Povo Inteligente, de Sérgio Glagliardi e Maurídio Falcão, e A Ponte, de João Wainer e Roberto T. Oliveira. Na próxima segunda, serão mostrados os documentários Ilha das Flores (de Jorge Furtado) e Osvaldinho da Cuíca - Cidadão Samba (de Toni Nogueira, Simone Soul e Osvaldinho da Cuíca), com a prometida presença do homenageado.Há sete anos, o Bar do Zé Batidão (Rua Bartolomeu dos Santos, 797, Chácara Santana, zona sul) ainda abriga um evento que fervilha a cultura dos bairros da região: um sarau poético organizado pela Cooperifa (Cooperativa Cultural da Periferia), que tem à frente o próprio Vaz. "Não temos patrocínio nenhum", conta. "Eu pago a projeção, o cara do bar faz a pipoca, um amigo meu arranjou a roupa de lanterninha..." A telona da laje mede 3 metros de altura por 3 metros de largura.CINECLUBESO presidente da Federação dos Cineclubes do Estado de São Paulo, Felipe Macedo, aprecia essas iniciativas, embora não as classifique dentro do que chama de "movimento cineclubista". "Há algumas regras para que um projeto seja considerado cineclube", explica. "Entre elas, a estrutura coletiva e democrática." De acordo com Macedo, o número de cineclubes em São Paulo vem aumentando bastante. "De setembro para cá, houve um crescimento de 50%", estima. "Hoje há cerca de cem em todo o Estado - metade deles na capital. No ano passado não chegavam a 70."

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