Telas de Portinari em Batatais serão restauradas

Licitação definiu ateliê de SP, mas projeto ainda precisa ser aprovado por Iphan e Condephaat

Brás Henrique, RIBEIRÃO PRETO, O Estadao de S.Paulo

17 Agosto 2009 | 00h00

As 37 telas expostas nas paredes da Matriz do Senhor Bom Jesus da Casa Verde, em Batatais, região de Ribeirão Preto, incluindo 23 do pintor Cândido Portinari, nascido na vizinha Brodowski, serão restauradas em breve. A prefeitura, após licitação com quatro participantes, já definiu que o ateliê De Vera Artes, de São Paulo, executará o trabalho, previsto para durar um ano. Mas ainda depende de análises e aprovações do projeto pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat), pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e pela Fundação Portinari, uma vez que existem ali obras tombadas e outros trabalhos do renomado pintor. A preocupação com as restaurações surgiu no começo deste ano, após a descoberta das ações de cupins em duas obras do artista local Mozart Pelá e da análise de um furo no canto inferior da tela A Sagrada Família, de Portinari. Somente essa obra está avaliada em US$ 4,5 milhões por técnico do Museu do Louvre, de Paris. Fuga para o Egito tem a mesma avaliação e Jesus e os Apóstolos (que reúne seis escolas artísticas: expressionismo, realismo, surrealismo, primitivismo, impressionismo e cubismo), exposta na nave central da igreja, atrás do altar, teve proposta real de compra de US$ 6 milhões. Mas as obras não podem sair da cidade. Um segundo trabalho de Portinari, não sacro nem tão valioso, instalado na sacristia, também foi atingido por cupins. INVESTIMENTO Segundo o secretário de Esportes e Turismo de Batatais, Antônio Carlos Corrêa, as restaurações ocorrerão na própria cidade, pois o custeio com transporte e seguro poderia triplicar os gastos. Só as obras de Portinari estão estimadas em cerca de US$ 30 milhões. "Na realidade, são obras de valores inestimáveis", comenta Corrêa, que não confirma o investimento nas recuperações, que deve ficar entre R$ 100 mil e R$ 150 mil, segundo experts. Ele espera aprovações do Iphan e do Condephaat em até dois meses. Além de pinturas de Portinari e Pelá, existem na matriz obras de Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, e Roberto Bérgamo e Aparecido Diani. A restauradora Florence Maria White de Vera, que se aposentou no Museu de Arte Contemporânea (MAC), em 1997, disse que seria mais fácil levar as obras para seu ateliê, em São Paulo. "Teríamos um conforto melhor e todos os equipamentos à mão, mas vamos montar um ateliê lá em Batatais", informa ela, que imagina restaurar três obras por mês. Florence diz que, na primeira etapa, deverá manter três pessoas na cidade de Batatais, de um total de oito de sua equipe. Os primeiros passos do trabalho serão as verificações da estabilidade do suporte de cada obra, as substituições de chassis e as limpezas da policromia (pintura). Florence aguarda um comunicado oficial para iniciar o trabalho. "Só sei que o meu projeto foi encaminhado ao Condephaat e ao Iphan", destaca ela. As obras de Portinari foram pintadas entre 1951 e 1954, encomendadas e adquiridas por cafeicultores e famílias tradicionais de Batatais e doadas à igreja. Merece destaque nessa lista a Via Sacra (de 1954), um conjunto de 14 telas do pintor, que está distribuída na nave central da igreja do município, mas ainda não conta com avaliação oficial por técnicos do Museu do Louvre. A igreja recebe visitação mensal, gratuita, de cerca de 3 mil turistas.

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