Telas roubadas de museu carioca podem já estar fora do País

A recuperação dos quadros de Claude Monet, Salvador Dalí, Henri Matisse e Pablo Picasso roubados do Museu da Chácara do Céu, no Rio, há exatos dois meses, parece estar cada vez mais distante. As obras, avaliadas em cerca de R$ 20 milhões, já podem ter deixado o País - e, neste caso, é possível que nunca sejam localizadas. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) critica a atuação da Polícia Federal no caso; já a PF considera que o órgão deveria abrir sindicância interna para apurar responsabilidades.As telas "Marine", de Monet, "Dois balcões", de Dalí, "Jardim de Luxemburgo", de Matisse, e "A dança", de Picasso, além do livro "Toros", também do mestre espanhol, foram levadas por um grupo de criminosos que invadiu armado o museu, localizado no bairro de Santa Teresa, na região central da cidade. Eles renderam vigilantes e ameaçaram visitantes, entre eles, turistas estrangeiros que tinham vindo aproveitar o carnaval carioca. Fugiram aproveitando-se da confusão provocada pela passagem de um bloco carnavalesco.Para o delegado Deuler Rocha, da Delegacia de Meio Ambiente e Patrimônio Histórico da PF, "a cada minuto" os quadros estão mais longe. "A esta altura, a probabilidade de as telas estarem no exterior é muito maior do que de estar por perto", disse o delegado.Vôo cegoJá foram feitas buscas no Rio, em São Paulo e em Minas Gerais. No entanto, ainda não há pistas das telas. A PF está recebendo apoio da Interpol para o caso de elas estarem, de fato, fora do País. O delegado considera que, apesar de não haver indícios de participação de funcionários do museu no crime, a direção deveria abrir sindicância interna, ao menos por precaução. A diretora do museu, Vera de Alencar, foi procurada pelo Estado, mas não foi encontrada para dar entrevista.O diretor do Departamento de Museus do Iphan, José do Nascimento Junior, disse que ainda não foi decidido se será mesmo instaurada sindicância, uma vez que não há servidor suspeito - a assessoria jurídica do Iphan está avaliando o caso. "Eu acho que não há necessidade". Ele acredita que o empenho da PF nas investigações tem sido insuficiente. "A PF não tem dado notícias, acho estranho", afirmou Nascimento.Denúncia em vãoEle contou que no último dia 13 foi feita uma denúncia para o museu, dando conta que os quadros estavam num contêiner no porto de Santos. O denunciante, que queria receber os R$ 10 mil de recompensa oferecidos pelo departamento por informações que levem às obras, teria passado, inclusive, o número do contêiner. Entretanto, a PF de São Paulo, que foi notificada, de acordo com o diretor, não teria realizado as buscas necessárias. "Deveria ter havido uma força-tarefa", criticou.Pedaços de molduras de dois dos quadros foram encontrados, queimados, no Morro dos Prazeres, perto do museu, no dia 2 de março. No dia 6, policiais prenderam Paulo Gessé Ferreira, que dirigiu a Kombi utilizada pelos bandidos. Ele disse ter sido obrigado pelos criminosos a fazer o transporte, mas sua versão não foi considerada convincente. Ferreira já foi denunciado pelo crime.

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