Televisão com o som no zero

Gerente de marketing é dos que evitam o horário eleitoral; advogada acha importante assistir

Flávia Tavares, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2010 | 00h00

Audiência

Os candidatos apostam muito em suas propagandas na TV, mas a audiência não é garantida. Há aqueles eleitores que fogem do horário gratuito como podem. É o caso de Edson Melo, gerente de marketing de uma empresa de telecomunicações, em São Paulo. Ele recorre a DVDs que tem em casa, seriados nos canais a cabo, atualiza sua vida virtual em redes sociais na internet. "Faço qualquer coisa para escapar. Às vezes, coloco a TV no mudo e fico fazendo outra coisa. Quando acaba, volto com o volume."

Nem sempre foi assim. Quando mais jovem, Melo assistia aos programas eleitorais com atenção. Hoje, aos 37 anos, considera estar mais informado e menos tolerante ao que chama de "falsidade eleitoral" dos candidatos.

"A propaganda é sempre perto do horário dos telejornais", diz Melo. "Vemos notícias dos políticos aprovando leis sem cabimento, desviando dinheiro público e, depois, temos de assistir aos mesmos políticos contando mentiras. Não dá."

Para decidir o destinatário de seus votos, Melo recorre a outros instrumentos da democracia, em que os candidatos são confrontados e têm de se explicar. "Debates, entrevistas e reportagens são mais verdadeiros. Também converso com amigos para formar minha opinião."

Já a advogada Anna Martha Luz Padilha faz questão de acompanhar o horário eleitoral gratuito sempre que pode. "Quem é da minha geração, que lutou muito pelo direito de votar, não pode abrir mão de participar desse período", diz Anna Martha, de 52 anos.

O marketing que maquia os candidatos e suas propostas não atrapalha o processo de decisão, segundo a advogada. Ela acredita que mesmo o menos instruído dos eleitores consegue intuir quem é o político falso e distinguir do que tem projetos. "As pessoas confiam no olhar, no tom de voz. Eu mesma sempre soube que o Collor não seria bom presidente, só pelo seu jeito de falar."

As opções para o cargo de presidente são mais delineadas e Anna Martha usa a propaganda para decidir em quem votar no Legislativo. "É engraçado, muitas vezes um candidato a deputado estadual promete, em dez segundos, fazer algo da alçada do federal", diz. A advogada, que credita o apreço pelo processo eleitoral à formação que recebeu do pai, faz questão de passar o sentimento para o neto, Pedro Henrique, de 16 anos. "Ele tirou o título e vai votar este ano", orgulha-se.

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