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''''Tem algo errado com o sistema'''', diz expert

Para professor da UFRJ, números indicam falhas na infra-estrutura

Bruno Tavares e Rodrigo Brancatelli, O Estadao de S.Paulo

26 de janeiro de 2008 | 00h00

Problemas pontuais - como chuvas, obras de emergência ou excesso de passageiros - podem ter causado atrasos nos vôos e agravado ainda mais a situação já pouco confortável de alguns aeroportos brasileiros no ano passado. Ainda assim, segundo o professor de transporte aéreo da UFRJ Respício do Espírito Santo Junior, os dados do estudo da consultoria Visagio revelam pelo menos uma certeza - o problema não se concentra em uma companhia aérea ou outra, mas sim no próprio setor aéreo, o sistema como um todo."Se levar em conta que a melhor empresa atrasou 44% e a pior alcançou 60%, você percebe que não há muita diferença. Todas atrasam, e muito. É inadmissível. A culpa não é delas, tem algo errado com o sistema", diz Respício. "Isso significa falhas na infra-estrutura aeroportuária e no controle do espaço aéreo."O professor da UFRJ também chama a atenção para o fato de que o Brasil não sofre tanto com problemas imprevisíveis, como condições meteorológicas desfavoráveis. "Não temos neve como nos Estados Unidos ou na Europa." Em 2006, por exemplo, o pior aeroporto americano em pontualidade, o de Newark (Nova Jersey), teve 43% de atrasos - isso com a pior temporada de nevascas em 137 anos. A média brasileira de atrasos é de 55%. As três primeiras posições do ranking de aeroportos campeões em pontualidade da Visagio são ocupadas por terminais com baixo movimento - Joinville (29,6%), em Santa Catarina, Macaé (31%), no Rio, e Navegantes (31,3%), em Itajaí, também Santa Catarina. Congonhas, em São Paulo, ficou em 8º lugar. Os outros aeroportos considerados hubs (pontos de distribuição de vôos) nacionais estão em colocações intermediárias. O de Cumbica, em Guarulhos, aparece na 29ª posição, seguido por Brasília, o 30º, com 30% de atrasos. O Galeão teve a pior avaliação entre os 48 terminais pesquisados. No período analisado, 68% das partidas ocorreram fora do horário previsto."Acho que 90% dos problemas do setor aéreo do País são técnicos, administrativos, e só 10% são políticos", afirma Respício. "O problema é que esses 10% estão tentando resolver os 90% e, me desculpe, isso é impossível. Além disso, não é um pepino que vai ser solucionado em dois, três anos. Sofremos com o contingenciamento de recursos há sete anos e temos péssima administração da Infraero há um tempo bem maior."Para o diretor-executivo da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag), Adalberto Febeliano, é preciso analisar os dados com mais cuidado. "Até a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) tem dificuldade em conseguir o horário real de partida e chegada dos vôos, não sei então como essa entidade chegou a esses resultados", diz. "Sempre viajo para Brasília e não acredito nesses números, nunca vejo mais de uma hora de atraso. Estamos em uma situação muito melhor que há 12 meses."Para dar mais transparência à coleta e divulgação de dados relativos a atrasos e cancelamentos de vôos, setores do governo estudam a criação de uma agência independente, ligada eventualmente ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea). O modelo seguiria o adotado pela FAA, a agência de aviação dos Estados Unidos.

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