DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO

‘Tem de acabar com hipocrisia’, diz petista sobre Haddad

Prefeitura de São Paulo reiterou que 'não está se recusando a receber ninguém'

Entrevista com

Tião Viana

Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

23 Maio 2015 | 03h00

O Acre tem sido “injustiçado” na questão dos haitianos e o prefeito Fernando Haddad (PT) agiu com “hipocrisia” ao reclamar de não ter sido avisado sobre a chegada de imigrantes a São Paulo. É o que disse o governador do Acre, Tião Viana (PT), em entrevista ao Estado. Em resposta, a Prefeitura reiterou que “não está se recusando a receber ninguém”. “Apenas, como diz o bom senso, antes de fretar um ônibus com destino a cidade, seria próprio da boa civilidade avisar o prefeito para que se preparasse para recebê-los”.

O transporte do Acre para São Paulo ainda está paralisado?

Enquanto São Paulo teve essa dificuldade de acolher 100 imigrantes ilegais, além da média normal, o Acre, nos mesmos três dias, recebeu 308. A gente tem de parar com essa hipocrisia de que ‘se não estou vendo o problema, ele não é meu’. O problema é do Acre e é de todo mundo. Temos de acabar com a hipocrisia. Eu sei que é uma surpresa não ser avisado. Ninguém me avisa de nada. Ontem (quinta-feira) chegaram 71, anteontem 88, no outro dia, 200. Como é que eu não sou avisado e tenho de resolver? São Paulo sabe que passa uma média de 9.100 imigrantes ilegais por ano pelo Acre e vão para o Brasil todo. Como é que (o Haddad) se diz surpreso? Não consigo entender esse tipo de diálogo. Prefiro um diálogo fraterno, solidário, de respeito mútuo e de consideração. É como se o Acre estivesse criando problemas para São Paulo. É uma injustiça perversa, cruel e que beira a uma relação de arrogância. Não pode ser assim. Somos um Estado, uma federação irmã. Um não pode querer um mal para o outro. 

A emissão de mais vistos vai resolver o problema? 

A questão não vai ser resolvida da noite para o dia. Mas quando o governo brasileiro estabelece uma meta de ofertar vistos mais do que suficientes em relação aos imigrantes está demonstrando que não compactua com a rede que está servindo aos coiotes, usando a miséria humana do lado peruano e equatoriano para fazer tráfico de pessoas que estão vindo para o Brasil por via ilegal.

O senhor tem ideia de quantos coiotes atuam nas fronteiras?

Não. Mas isso não pode continuar assim. Daqui a pouco vamos virar o único lugar do mundo em que o imigrante ilegal é recebido com um documento, abrigo, transporte e moradia. Isso aí não vai terminar bem.

Mais conteúdo sobre:
Acre Haiti

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.