'Tem muita água para rolar', avisa delator do esquema à oposição

Sem apresentar provas, João Dias afirmou a parlamentares que Esporte tem mais de '300 caixas pretas'

LEANDRO COLON, EDUARDO BRESCIANI / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

19 Outubro 2011 | 03h06

O policial militar João Dias Ferreira reuniu-se ontem a portas fechadas com parlamentares da oposição e reafirmou as acusações contra o ministro do Esporte, Orlando Silva. Logo depois, em entrevista coletiva, repetiu a versão de que o ministro está envolvido num esquema de corrupção na pasta. "A verdade é única. Não existem duas verdades. As coisas não estão encerrando aqui. Tem muita água para rolar, muitos acontecimentos virão."

Segundo ele, são mais de "300 caixas pretas" no Esporte. "Sou apenas a primeira peça do dominó. As provas são naturais. As provas são os documentos fraudulentos." De acordo com integrantes da oposição, o PM não apresentou provas.

Na reunião, ele voltou a dizer que se encontrou com Orlando Silva em março de 2008, quando o ministro teria feito uma proposta de acordo para que o esquema no programa Segundo Tempo não fosse denunciado. Repetiu que duas semanas depois voltou ao ministério para uma nova reunião com dirigentes da pasta.

Áudio. De acordo com João Dias, a conversa foi gravada e entregue a um veículo de imprensa.

A conversa dele com a oposição ocorreu no gabinete da liderança do PSDB no Senado no mesmo momento em que Orlando Silva dava seu depoimento à Câmara. O encontro durou pouco mais de duas horas.

Segundo os parlamentares, ele voltou a dizer que tem provas. "O depoimento dele é estarrecedor. Ele (João Dias) traz detalhes e informações que não constam da imprensa, demonstra existência de provas materiais inegáveis das denúncias, não apenas contra o ministro, mas contra todo o ministério. Isso tem de ser de conhecimento do Brasil", disse o líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA).

O policial é dono de duas ONGs que fecharam convênios com o Ministério do Esporte entre 2005 e 2007. Em entrevista à revista Veja, ele incluiu o nome do ministro no esquema de desvios de verba no programa Segundo Tempo, confirmando as fraudes reveladas pelo Estado em fevereiro deste ano.

O PSDB solicitou ao Ministério da Justiça proteção a João Dias. "A proteção será imediatamente concedida assim que o sr. João Dias Ferreira comparecer à sede da Superintendência da Polícia Federal do DF e, nos termos da lei, solicitar a segurança", disse o ministério em nota.

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