'Tem que definir. Estou desgastado demais'

Osmar Dias. Senador (PDT-PR).

Entrevista com

Evandro Fadel / CURITIBA, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2010 | 00h00

Com voz abatida, demonstrando cansaço, o senador Osmar Dias (PDT-PR) atendeu ao telefone por volta das 18 horas de ontem. Tinha passado boa parte do dia, assim como o fim de semana, em reuniões para definir o melhor caminho: concorrer ao governo em coligação com PMDB e PT ou partir para a reeleição. Ele prefere o governo, mas aí seria o comandante do palanque de Dilma Rousseff (PT) no Estado. Entraria em conflito com o pacto que tem com o irmão, senador Álvaro Dias (PSDB), de não haver disputa entre eles. Álvaro é cotado para vice de José Serra. "Essa questão é forte para mim."

Qual a tendência, neste momento, sobre seu futuro político? Estou esperando a reunião do DEM, agora às 20 horas (ontem à noite), com o PSDB, para definir o que fazer. Não quero antecipar nada.

Essa definição sai quando?

Eu acho que depois dessa reunião vou ter como definir.

Pode-se esperar alguma coisa para amanhã (hoje)?

Tem que haver. Tem que decidir porque não se aguenta mais isso. Eu, principalmente, estou desgastado demais com esse troço.

O sr. sentiu-se encurralado com a indicação de Álvaro Dias como vice na chapa de Serra?

Nós temos um pacto de não disputar um contra o outro. Acho que a população não entenderia isso. Agora, eu já vinha como candidato a governador, estava com a aliança pronta, para anunciar, quando surgiu isso. Eu não tinha conseguido uma aliança, de repente ela apareceu na segunda-feira em Brasília, na terça e quarta nós fechamos, na quinta veio a notícia e aí embaralhou tudo.

Foi surpresa para o senhor?

Não foi surpresa porque vinha sendo conversado há algum tempo. Isso é que estava retardando e as pessoas achavam que era indefinição minha, mas não era. Era preocupação de não ficar em uma situação desagradável, como neste momento. Está muito difícil para mim.

No caso de ser candidato à reeleição, seria independente ou em coligação com o PMDB?

É cedo, eu vou esperar a reunião.

Em relação à disputa nacional, a amizade com o Serra pesa?

O meu partido tem uma posição e não abre mão. Sou amigo do Serra, mas tenho que seguir a orientação do meu partido.

O eleitorado vai entender que não há uma indecisão?

Pouca gente entende, eu estou em uma situação bastante complicada, num dilema pessoal, essa questão familiar é forte para mim. Principalmente do jeito que o Álvaro colocou na imprensa aqui, que a minha candidatura seria contrária aos interesses do Paraná em função da postulação dele.

O sr. não tem o mesmo entendimento?

Não. Estou preparado para ser governador. Eu me preparei, estudei o Estado, estou com projeto pronto. Mas tem que analisar essa situação nova, ela realmente é complicadora.

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