Bruno Ribeiro/Estadão
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Temer anuncia força-tarefa e envia 36 homens ao CE para combate ao crime organizado

Ação ocorre 20 dias após a maior chacina do Estado deixar 14 mortos; episódio estaria ligado à guerra de facções

Juliana Diógenes, O Estado de S.Paulo

18 Fevereiro 2018 | 16h19
Atualizado 19 Fevereiro 2018 | 13h09

O presidente Michel Temer determinou o envio de uma força-tarefa policial ao Ceará para dar apoio às forças de segurança do Estado nas ações de combate ao crime organizado. 

A ação ocorre 20 dias após uma chacina que deixou 14 pessoas mortas no bairro de Cajazeiras, em Fortaleza.  A chacina – a maior da história do Ceará – estaria ligada à guerra de facções criminosas. Em nota, o Ministério da Justiça afirmou que a força-tarefa é um "reforço às operações conjuntas de inteligência e diante dos últimos acontecimentos". 

A equipe com 36 homens, sendo 26 da Polícia Federal e 10 da Força Nacional de Segurança Pública, embarcará às 22 horas deste domingo, 18, da Base Aérea de Brasília com destino a Fortaleza. O grupo será chefiado pelo almirante Alexandre Mota, secretário-adjunto da Secretaria Nacional de Segurança Pública.

A assessoria de imprensa do governo do Ceará, confirmou ao Estado que a força-tarefa é uma resposta ao apoio solicitado pelo governador Camilo Santana (PT) 20 dias atrás, após chacina que matou 14 pessoas em Fortaleza. Segundo o governo petista, os homens vão atuar na inteligência de combate ao crime organizado.  

Ação federal

Após a chacina, Santana disse que seu Estado não fabrica nem armas pesadas nem drogas e que cobraria ações de Temer para conter a onda de violência local. O governador afirmou que pediria uma audiência para cobrar o combate ao crime organizado. 

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O ministro da Justiça, Torquato Jardim, em nota oficial, respondeu às acusações. Na nota, o ministro ofereceu apoio da do governo federal, mas devolveu a responsabilidade na questão de segurança pública para o Estado, lembrando que governadores não pedem ajuda em questão de segurança por questão política. As acusações do governador petista irritaram bastante o Planalto e o Ministério da Justiça.

O ministro informou ainda que "uma força-tarefa" de membros da Secretaria Nacional de Segurança Pública, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Departamento Penitenciário Nacional havia sido formada por determinação dele, "para subsidiar a Secretaria de Segurança Pública do Estado do Ceará com investigação e informações de inteligência".

A nota acrescentou ainda que "o reforço" com a força-tarefa montada "tem objetivo de propiciar aos órgãos de segurança do Estado que atuem para reprimir de forma exemplar a ação de grupos criminosos envolvidos na chacina do último sábado". Durante este domingo, as áreas de segurança dos governos estadual e federal discutiram medidas a serem adotadas no estado.

A chacina

Um grupo de homens fortemente armados invadiu na madrugada do dia 27 de janeiro uma festa no bairro Cajazeiras, na periferia de Fortaleza, e atirou contra os participantes, matando 14 e deixando 18 feridos – oito deles continuavam internados até às 23 h. A maioria das vítimas era mulher e, entre elas, havia adolescentes. À tarde, um suspeito foi preso com um fuzil. 

A festa acontecia na casa noturna Forró do Gago. Segundo testemunhas que pediram para não serem identificadas, por volta de 0h30 de ontem, homens chegaram em três carros e desceram disparando a esmo. Eles portariam espingarda calibre 12, pistolas calibre 40 e 9 milímetros e revólveres calibre 38. 

Segundo fontes não oficiais, o evento era promovido por integrantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV), que nasceu no Rio, tem forte presença nos presídios e domina o tráfico de drogas no Ceará. O massacre é atribuído à facção rival Guardiões do Estado (GDE).

Facção local

A facção criminosa Guardiões do Estado (GDE) nasceu em Fortaleza para disputar o controle dos presídios e o comando do tráfico de drogas no Estado com o Comando Vermelho (CV). No ano passado, o grupo teria se aproximado do Primeiro Comando da Capital (PCC), na tentativa de enfraquecer seu principal rival.

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Seguindo o modelo da facção Família do Norte (FDN), forte no Estado vizinho Rio Grande do Norte, a GDE é uma organização criminosa menor, mas que recentemente vem ganhando força, arregimentando principalmente menores infratores e jovens adultos criminosos, moradores de áreas periféricas da capital cearense, na faixa etária dos 15 aos 25 anos.

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