Marcio Fernandes/AE-25/9/2009
Marcio Fernandes/AE-25/9/2009

Temer anuncia Gabriel Chalita como pré-candidato do PMDB à Prefeitura

Segundo deputado mais votado em São Paulo será recebido com festa pela nova legenda em maio e já deve estrelar programa de TV do partido em junho; ex-secretário e amigo de Alckmin deve engrossar coro de oposição ao prefeito Gilberto Kassab

Christiane Samarco, O Estado de S.Paulo

23 Abril 2011 | 00h00

BRASÍLIA

O deputado Gabriel Chalita (PSB-SP) acertou com o vice-presidente da República, Michel Temer, que ingressará no PMDB em maio, com direito a uma festa de filiação em São Paulo. Líderes e dirigentes nacionais do partido já estão sendo convidados a participar do evento em que Chalita será apresentado como pré-candidato do partido à Prefeitura da capital paulista em 2012. A informação foi dada em primeira mão, na manhã de ontem, pela colunista Sonia Racy, na rádio Estadão ESPN.

A pressa do deputado em deixar o PSB tem razões pragmáticas: o PMDB quer que ele seja a estrela do programa do partido que irá ao ar em junho. "Ele já bateu o martelo comigo e com o (ministro da Agricultura) Wagner Rossi e está decidido a sair do PSB até correndo risco de ter o mandato questionado na Justiça", informa o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN).

A regra da fidelidade partidária estabelece que o mandato parlamentar pertence ao partido, e não ao deputado. Chalita garantiu aos peemedebistas que tem uma estratégia traçada para preservar a vaga de deputado (leia abaixo).

Nas conversas com os dirigentes do PMDB, Chalita ressaltou sua "incompatibilidade" com o atual prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que lidera a criação do PSD. Embora a tese da fusão entre o futuro partido de Kassab e o PSB tenha perdido força nas últimas semanas, o deputado fez questão de lembrar que a ideia foi bastante noticiada e, por isso, não pode correr o risco de ficar na atual legenda e ser surpreendido por uma eventual união dos partidos.

Confiante quanto ao futuro partidário de Chalita, Alves diz que o objetivo do PMDB é dar "toda a ênfase" à filiação do parlamentar, com um ato político à altura do deputado eleito com 560 mil votos, segunda maior votação de São Paulo, atrás apenas do palhaço Tiririca (PR).

Encerrada a velha disputa na cúpula do PMDB paulista entre a ala governista comandada por Temer e os rebeldes liderados por Orestes Quércia, morto em dezembro, a estratégia é reconstruir a regional paulista hoje minguada na capital, a partir de uma candidatura "robusta" à Prefeitura da maior cidade brasileira. "O Chalita é um parlamentar fortíssimo, uma liderança nova, e será uma das melhores conquistas do PMDB", aposta Alves.

Reações. O governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, quer esperar uma posição oficial de Chalita para comentar o tema, mas já adiantou que o problema será resolvido em acordo com os líderes paulistas. "Eu não vou me pronunciar enquanto não tiver posição oficial de Chalita. Esta é uma questão que cabe ao diretório da cidade de São Paulo e ao diretório estadual, antes de um pronunciamento da direção nacional", afirmou Campos.

Na iminência de perder o parlamentar, um dirigente nacional do PSB diz que "Chalita saiu mal do PSDB e está saindo mal do PSB, depois de ter se juntado ao PT por pura birra com o ex-governador José Serra".

Este dirigente entende que Chalita conta com a simpatia do governador Geraldo Alckmin (PSDB), de quem foi secretário de Educação, e que esperaria ter apoio velado do tucano nos moldes do que Serra fez em relação a a Kassab, em 2008. No caso de o ex-governador ser candidato em 2012, o apoio a Chalita seria o troco de Alckmin.

Entre os petistas, a notícia de que Chalita vai para o PMDB não causou surpresa. A avaliação é de que o deputado ajudará a fazer coro nas críticas a Kassab. Para o presidente do diretório municipal do PT, vereador Antonio Donato, o partido se beneficia de um número maior de candidaturas. "Quanto mais candidatos houver, melhor. Nós temos um eleitorado cativo", afirmou o petista. / COLABOROU IURI PITTA

TRAJETÓRIA

Vereador

Com apenas 19 anos, Chalita foi eleito vereador em Cachoeira Paulista (SP), sua cidade natal. Em 2008, voltou a se eleger vereador pelo PSDB, desta vez em São Paulo, e foi o mais votado, com mais de 100 mil votos

Escritor

Também foi precoce na carreira de escritor. Publicou seu primeiro livro aos 12 anos. Hoje, acumula 54 títulos lançados

Governo

De 2003 a 2006, foi secretário da Educação do Estado de São Paulo, na gestão Geraldo Alckmin/Claudio Lembo

Troca de partido

Em 2009, Chalita deixou o PSDB e se filiou ao PSB, da base de apoio do governo Lula. No ano passado, foi candidato a deputado e conseguiu a segunda maior votação no Estado

Religião

Chalita também é bastante próximo da Igreja Católica. É ligado ao movimento Renovação Carismática e apresenta dois programas na TV Canção Nova

PADRINHOS DE PESO

Lula

O ex-presidente defende um novo nome como candidato do PT: o ministro Fernando Haddad

Gilberto Kassab

Sem poder concorrer à reeleição, o prefeito pode apoiar Guilherme Afif ou Eduardo Jorge

José Serra

Com o PSDB em crise, o ex-governador é visto como único capaz de unir o partido em 2012

Michel Temer

Ao lançar Chalita como pré-candidato, aumenta o cacife do PMDB em eventuais alianças

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