Beto Barata/PR/Divulgação
Beto Barata/PR/Divulgação

Temer autoriza uso de Forças Armadas para segurança nas ruas de Natal

Foram registrados mais de 30 ataques em dez cidades do Rio Grande do Norte

Rafael Barbosa e Tânia Monteiro, Especial para o Estado

19 Janeiro 2017 | 15h31

NÍSIA FLORESTA E BRASÍLIA - Depois do registro de mais de 30 ataques em dez cidades do Rio Grande do Norte em pouco mais 24 horas, o presidente Michel Temer autorizou nesta quinta-feira, 19, o envio das Forças Armadas para reforçar a segurança nas ruas de Natal. O revide das forças de segurança locais resultou em pelo menos uma morte e nove prisões. O contingente militar a ser deslocado para a região será formado principalmente por homens do Exército, que devem iniciar as operações na próxima semana.

“Após pedido do governador do Rio Grande do Norte, autorizei o uso das Forças Armadas para reforçar a segurança nas ruas de Natal”, escreveu o presidente em sua conta pessoal no Twitter. 

Ao ser informado que os presos continuavam fora de controle na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, na Grande Natal, o presidente admitiu que a solução é de longo prazo. “A curto e médio prazos, destinamos R$ 150 milhões para bloquear os celulares e R$ 80 milhões para as revistas, mas depende da conexão com os Estados. Vamos fazer 30 presídios no País, mas amanhã ou depois não vai estar resolvido.”

A situação no Rio Grande do Norte se agravou depois do motim que deixou 26 mortos em Alcaçuz. Entre a noite de quarta-feira e a tarde desta quarta, 22 ônibus, 2 micro-ônibus, 4 carros e uma caçamba foram incendiados em diferentes pontos de Natal e também no interior. Também havia relatos de tiroteios pela capital e o registro de uma execução em uma das principais avenidas da cidade.

Ônibus. Segundo o Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Natal (Seturn), oito incêndios de coletivos aconteceram na garagem da empresa São Geraldo, às margens da BR-226, no bairro Felipe Camarão. Diante do agravamento do quadro de segurança pública, a prefeitura autorizou que táxis, vans escolares e carros credenciados fizessem serviço de lotação.

O resultado disso foi o recolhimento da maioria dos veículos de transporte coletivo na capital, sem previsão para o retorno dos ônibus às ruas. Pelas vias da cidade, pouca gente circulava, mesmo de carro, cena que se assemelhava à que se viu no Estado potiguar quando, em julho e agosto do ano passado, as facções organizadas ordenaram ataques do lado de fora das cadeias. O comércio também fechou as portas mais cedo.

Nos pontos de ônibus, era possível ver pessoas caminhando em busca de algum tipo de transporte. Alguns estabelecimentos públicos e privados também liberaram os funcionários mais cedo. A Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern), por exemplo, autorizou que os funcionários fossem embora às 15h30. Foram liberadas todas as unidades de Natal e também da cidade de Caicó. No comércio, o funcionamento era parcial, como se fosse feriado.

O empresário Gabriel Bispo, dono de uma barbearia na zona leste de Natal, suspendeu o atendimento durante a tarde. Ele enviou um comunicado aos clientes informando sobre o fechamento do estabelecimento, por causa dos ataques. Bispo afirma que depois de escutar tiros nas Rocas, bairro onde fica sua barbearia, e de saber de um ônibus incendiado na região, preferiu encerrar o expediente. “Melhor fechar do que ficar à mercê disso”, completou.

Também na zona leste, no bairro de Mãe Luíza, o segurança de uma farmácia foi baleado e encaminhado à unidade de saúde local. O estado de saúde do vigilante ainda não foi informado e a polícia vai investigar a motivação do atentado.

Morte. Até a noite desta quarta, em Natal foram atacados três distritos policiais, um fórum, dois terminais de ônibus e uma estação de energia elétrica. Além disso, 13 ônibus e um carro do governo foram queimados. Em Caicó, houve rebelião na penitenciária de Seridó, com um morto e sete feridos. Na cidade, duas caminhonetes, um ônibus e um carro do governo foram queimados. Em Parnamirim, o fórum foi atacado. Um ônibus e um micro-ônibus acabaram queimados.

Segundo o delegado-geral adjunto da Polícia Civil do Rio Grande do Norte, Correia Júnior, nove pessoas foram presas e um homem morreu em confronto com forças policiais por envolvimento nos ataques. 

O delegado informou que os suspeitos portavam gasolina e tentavam incendiar veículos em Natal. No celular deles, informou Correia, havia registros de contatos com ordens para a prática dos crimes nas ruas. O material apreendido será investigado pela polícia. / COLABOROU JOSÉ MARIA TOMAZELA

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