André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Temer diz que motim no ES é 'comportamento inaceitável' e pede que PM volte às ruas

Ministros da Defesa e do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência vão neste sábado ao Estado a pedido do presidente para acompanhar a situação

Carla Araújo e Tânia Monteiro, Carla Araújo

10 Fevereiro 2017 | 17h06

BRASÍLIA - Quase uma semana depois do início do motim da Polícia Militar no Espírito Santo, em 4 de fevereiro, o presidente Michel Temer rompeu o silêncio e divulgou nesta sexta-feira, 10, uma nota para afirmar que condena a paralisação, dizer que está acompanhando o desenrolar da situação e pedir para que os policiais voltem ao trabalho. 

"O presidente Michel Temer acompanha, desde os primeiros momentos, todos os fatos relacionados à segurança pública no Espírito Santo. Condena a paralisação ilegal da polícia militar que atemoriza o povo capixaba", diz a nota, assinada pela Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República, que agora está a cargo da Secretaria-geral da Presidência, subordinada a Moreira Franco, que está com sua nomeação suspensa na Justiça. 

Apesar de o documento não informar, a reportagem apurou que os ministros da Defesa, Raul Jungmann, e do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, Sergio Etchegoyen, vão neste sábado, 11, ao Espírito Santo a pedido do presidente para acompanhar a situação. Temer já foi criticado em outras ocasiões - como na crise penitenciária - por demorar para se manifestar sobre o episódio.

Além da demora na manifestação do presidente, fontes reconhecem que o desgaste é ampliado pelo fato de o Ministério da Justiça, que recentemente ganhou o status de cuidar da Segurança Pública, estar sob o comando interino de José Levi, por conta da licença de Alexandre de Moraes, que foi indicado pelo presidente para a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). 

A nota afirma ainda que o presidente tem se informado todos os dias com o governador Paulo Hartung e vai fazer "todos os esforços para que o Espírito Santo retorne à normalidade o quanto antes" e destaca que, ao saber da situação, o governo determinou o imediato envio de dois mil homens para restabelecer a lei e a ordem no Estado. "Agirá da mesma forma sempre que necessário, em todos os locais onde for preciso", diz o texto. 

Desde o início do motim, o número de mortes violentas no Espírito Santo subiu para 121. Os dados foram divulgados pelo Sindicato dos Policiais Civis (Sindipol) com base nos registros do Centro Integrado Operacional de Defesa Social (Ciodes), órgão do governo do Espírito Santo que reúne instituições como PM, Polícia Civil e Guarda Municipal de Vitória, entre outros. A Secretaria de Segurança não confirma os números. Pelos dados divulgados pelo Sindipol, o dia mais violento foi a segunda-feira, 6, quando foram registradas 40 mortes. Nesta sexta-feira, 10, houve quatro homicídios até as 10h.

No texto divulgado nesta sexta pelo Planalto, Temer ressalta que o direito à reivindicação não pode tornar o povo brasileiro refém e pede que os policiais retornem ao trabalho. "O estado de direito não permite esse tipo de comportamento inaceitável. O presidente conclama aos grevistas que retornem ao trabalho como determinou a Justiça e que as negociações com o governo transcorram dentro do mais absoluto respeito à ordem e à lei, preservando o direito e as garantias do povo que paga o salário dos servidores públicos, sejam eles civis ou militares", finaliza a nota. 

Confira a integra da nota:

O presidente Michel Temer acompanha, desde os primeiros momentos, todos os fatos relacionados à segurança pública no Espírito Santo. Condena a paralisação ilegal da polícia militar que atemoriza o povo capixaba. Ao saber da situação, determinou o imediato envio de dois mil homens para reestabelecer a lei e a ordem no Estado. O presidente tem se informado todos os dias com o governador Paulo Hartung e vai fazer todos os esforços para que o Espírito Santo retorne  à normalidade o quanto antes. Agirá da mesma forma sempre que necessário, em todos os locais onde for preciso. O presidente ressalta que o direito à reivindicação não pode tornar o povo brasileiro refém. O estado de direito não permite esse tipo de comportamento inaceitável. O presidente conclama aos grevistas que retornem ao trabalho como determinou a Justiça e que as negociações com o governo transcorram dentro do mais absoluto respeito à ordem e à lei, preservando o direito e as garantias do povo que paga o salário dos servidores públicos, sejam eles civis ou militares. 

Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República


ENTENDA A CRISE NO ESPÍRITO SANTO

Familiares e amigos de policiais militares no Espírito Santo começaram, na noite de sexta-feira, 3, a fazer manifestações impedindo a saída das viaturas para as ruas e afetando a segurança dos municípios.  Sem reajuste há quatro anos, os PMs reivindicam aumento salarial e melhores condições de trabalho.

O motim dos policiais levou a uma onda de homicídios e ataques a lojas. Com medo, a população passou a evitar sair de casa e donos de estabelecimentos fecharam as portas. Os capixabas já estocam comida

Na segunda-feira, 6, a prefeitura de Vitória suspendeu o funcionamento das escolas municipais e de  unidades de saúde. 

Também na segunda, o governo federal autorizou o envio da Força Nacional e das Forças Armadas para reforçar o policiamento nas ruas de cidades do Espírito Santo. Apesar do reforço, o clima de tensão se manteve no Estado. 

A morte de um policial civil na noite de terça-feira, 7, motivou uma paralisação da categoria na quarta, agravando ainda mais a crise de segurança no Espírito Santo. 

Após o fracasso nas negociações com policiais militares do Espírito Santo, o governo capixaba decidiu endurecer com os PMs e com as mulheres líderes do motim. No total, 703 policiais militares já foram indiciados por crime de revolta.

 

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