Temer e Sarney estão frágeis para resistir

Além do esvaziamento precoce do Poder do Executivo, o Congresso ainda amarga fragilidades de seus dois comandantes: o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e o do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2010 | 00h00

Com a precipitação da campanha, Temer teve de vestir mais cedo o figurino de candidato a vice na chapa presidencial de Dilma Rousseff (PT). A situação se agrava porque não é possível contar com o Senado para barrar atos de generosidade dos deputados ou fazer papel de moderador nas negociações que envolvem o Congresso. Politicamente desgastado pela crise administrativa e pelos atos secretos, o presidente do Congresso não tem se prestado a esse papel.

Mais: enquanto Temer cuida da chapa de Dilma, Sarney tem se ocupado do reduto eleitoral que manteve de pé sua oligarquia nos últimos 50 anos.

Em tempos de contestação de sua liderança nacional, Sarney precisa manter o Maranhão sob domínio da família - ele concentra esforços na reeleição da filha Roseana.

Temer deu outra contribuição à facilidade para votar na Câmara. As normas constitucionais determinam que uma medida provisória pendente de votação há 45 dias, desde sua edição, tranca a pauta do plenário. Mas ele entendeu que o trancamento da pauta só vale para propostas que tratam de temas correlatos às MPs não apreciadas. Isso não apenas destravou as votações em plenário, como abriu mais espaço para a atuação dos lobistas.

Na hora de definir o que entra na pauta de votação - avaliam os líderes -, Temer fica vulnerável a pressões não só para atender aos interesses de corporações como aos projetos de companheiros que lhe serão valiosos na convenção nacional do PMDB para aclamá-lo candidato a vice.

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