Almir Guerreiro
Almir Guerreiro

Temer fará reunião neste domingo para discutir situação de venezuelanos em Roraima 

Assalto e agressão a morador de Pacaraima provocou protesto violento de brasileiros contra venezuelanos neste sábado; governo encaminha equipe reserva da Força Nacional de Segurança

Mariana Haubert e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

18 Agosto 2018 | 22h29
Atualizado 20 Agosto 2018 | 18h23

BRASÍLIA - Diante da escalada de violência nos embates entre brasileiros e venezuelanos em Roraima, o presidente Michel Temer decidiu convocar uma reunião de emergência para a manhã deste domingo, 19, que irá ter como tema principal as tensões na fronteira entre os dois países. 

Pelo menos quatro ministros participarão da reunião com o presidente Temer, no Palácio da Alvorada, em Brasília: da Segurança Pública, Raul Jungmann; do Gabinete de Segurança Institucional, general Sérgio Etchegoyen; da Defesa, general Joaquim Silva e Luna; e das Relações Exteriores, Aloysio Nunes. Jungmann, que estava fora de Brasília, já retornou à capital para participar do encontro.

Por enquanto, o governo federal ainda não enviou reforço para a cidade fronteiriça com a Venezuela. Mas um avião da Força Aérea e homens da Força Nacional de Segurança Pública já estão prontos para serem embarcados, se houver necessidade.

O governo federal teme que a situação tensa em Pacaraima se estenda para Boa Vista e possa gerar um confronto generalizado nas duas cidades. Os brasileiros que moram em Roraima se queixam da criminalidade ter aumentado no Estado e da situação crítica que se vê nas cidades, por conta da "invasão" de venezuelanos, que criaram um colapso no sistema público local, além de estarem espalhados em acampamentos improvisados em todos os pontos das cidades.

O governo de Roraima tenta conseguir fechar a fronteira para os venezuelanos, mas a medida é rejeitada pelo Planalto. O problema acaba se agravando, com disputas políticas e acusações de parte a parte, turbinado pelo momento eleitoral.

Crime e reações

Neste sábado, durante uma manifestação, parte da população da cidade agrediu e destruiu acampamentos de venezuelanos que vivem em Pacairama, que fica na fronteira de Roraima com a Venezuela. Até bombas caseiras teriam sido jogadas em praças e nos abrigos improvisados nas ruas. Houve reação e uma confusão generalizada.

Além das polícias locais, agentes do Exército que já atuam na região cercaram a área. A Polícia Federal também foi ao local do conflito e deportou imigrantes que estavam em situação irregular no País. 

A revolta começou após um assalto a um dos moradores da cidade, o comerciante Raimundo Nonato de Oliveira, de 55 anos. Ele teve a casa invadida e foi espancado durante um assalto que, segundo conhecidos da vítima, foi praticado por quatro venezuelanos. Atingido na cabeça, o homem foi levado para um hospital da capital, Boa Vista, por causa dos ferimentos.

Moradores também responsabilizam os imigrantes venezuelanos pelo suposto aumento da criminalidade em Roraima. 

Em nota, o governo federal afirmou repudiar "atos de vandalismo e violência contra qualquer cidadão, independentemente da sua nacionalidade". De acordo com Jungmann, "a situação é tensa, mas se estabilizou e está sob controle".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.