Temer não se manifesta sobre massacre em presídio de Manaus

Auxiliares do presidente justificam que o caso "é complexo"

Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

02 Janeiro 2017 | 22h55

BRASÍLIA - Diferentemente do que fez com o caso da chacina em Campinas (SP) na noite do ano novo, quando usou a sua conta do Twitter para lamentar o episódio, o presidente Michel Temer ainda não fez nenhuma manifestação oficial sobre o massacre no Complexo Penitenciário Anísio Jobim, o Compaj, em Manaus (AM), que culminou com a morte de 56 detentos.

Segundo auxiliares do presidente, ele está sendo informado sobre o assunto e conversou por diversas vezes com o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, que foi no fim da tarde para Manaus acompanhar o caso. Não há previsão de que Temer faça algum tipo de manifestação. Ele também já falou por telefone com o governador do Amazonas, José Melo de Oliveira, e reforçou a disposição do governo de ajudar no que “for preciso para solucionar o caso”.

Auxiliares de Temer justificam que o caso “é complexo” e diferente do episódio em Campinas, que se tratava de uma “tragédia familiar”.  “Neste caso é um episódio de segurança pública, que exige mobilização das forças de inteligência, é mais complexo”, disse uma fonte.

A ordem de Temer é que Moraes acompanhe o caso de perto e tome as providências necessárias, o que deve incluir a transferência de presos para complexos federais. Além disso, segundo fontes do Planalto, o presidente determinou que toda a inteligência de segurança nacional contribua para solucionar a crise. Caso o Estado solicite reforço da Força Nacional, por exemplo, o governo já sinalizou que atenderá a demanda.

Apontada como a terceira maior facção do País, atrás apenas do PCC e do Comando Vermelho, a Família do Norte do Amazonas matou cerca de 60 detentos no Compaj. As mortes estão relacionadas com a disputa entre a FDN e o PCC.

De acordo com interlocutores do presidente, em outubro, quando o presidente comandou a reunião para discutir a segurança pública no país com chefe dos demais poderes no Itamaraty, o ministro da Justiça e o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Sérgio Etchegoyen, fizeram exposições sobre a situação das facções nos presídios brasileiros e alertaram para o risco de briga entre os grupos.

A gravidade da situação nos presídios e da disputa entre as facções foi bastante explicitada. Apesar disso, segundo fontes, uma “rebelião dessa dimensão obviamente pega todo mundo de surpresa”.

O Planalto destaca que na semana passada o governo autorizou o repasse aos Estados de R$ 1,2 bilhão do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen), justamente consciente da necessidade de corrigir problemas nos presídios brasileiros.

No Twitter. Temer lamentou, em sua conta no Twitter, as mortes ocorridas em Campinas, pouco antes da virada do ano. "Lamentamos profundamente as mortes ocorridas em Campinas. Manifestamos nosso pesar junto às famílias. Que 2017 seja um ano de mais paz!", escreveu o presidente. Apesar de argumentarem que o Twitter é algo extraoficial, na segunda (2), na página pessoal do presidente, havia seis postagens destacando ações do governo, como um vídeo com o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, destacando que o FGTS “terá rendimento próximo ao da Caderneta de Poupança.

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