Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Temer não tem culpa sobre ES antes do envio de tropas, diz ministro

Raul Jungmman disse à 'Rádio Estadão' que atendimento à solicitação do Estado foi rápido; ele considera que PMs amotinados estejam em 'beco sem saída'

Elizabeth Lopes e Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo

13 Fevereiro 2017 | 10h23

SÃO PAULO - O ministro da Defesa, Raul Jungmann, eximiu nesta segunda-feira, 13, em entrevista à Rádio Estadão, o governo Michel Temer (PMDB) de responsabilidade sobre o terror e a falta total de ordem pública que atingiu o Espírito Santo, antes do envio das Forças Armadas e da Força de Segurança Nacional na última segunda-feira, 6, àquele Estado, em razão do motim da Polícia Militar.

Segundo o ministro, tão logo o governador em exercício, César Colnago (PSDB), pediu ajuda das forças de segurança federais, o atendimento foi rápido.

"O pedido formal do governo estadual chegou às 10 horas de segunda e, às 17 horas, já tínhamos homens em Vitória", explicou Jungmann à Rádio Estadão. "Desde segunda-feira, quando iniciamos nossa ação, embora algumas mortes ainda tenham acontecido, o que diz respeito à ordem pública foi restabelecido, não houve mais arrombamentos e arrastões. As Forças Armadas atuaram com eficiência e velocidade."

Desde o início do motim, cerca de 150 pessoas morreram no Estado, de acordo com balanço do Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo (Sindpol-ES).

Neste domingo, 12, após reunião com Temer, Jungmann chegou a admitir que a crise na segurança pública capixaba trouxe desgaste para a imagem do País porque, de fato, há uma situação de intranquilidade na população. Mas questionado se o presidente da República demorou a se pronunciar sobre o caso, o ministro afirmou que mais importante do que falar é agir.

"Assim que Temer recebeu a ligação do governador em exercício, ordenou imediatamente a nossa ação, o que alivia a população", argumentou.

Jungmann ainda disse que, segundo o informe preliminar do Comandante Militar do Leste, os serviços básicos, como bancos, transporte público e escolas, estão se normalizando na Grande Vitória, e, embora não tenha informações sobre o interior, afirmou que acredita que tudo também esteja caminhando para a normalidade.

De volta à ativa. O ministro disse que 1,4 mil policiais militares já voltaram ao trabalho nesta segunda e que, ao longo do dia, esse número deve aumentar. Segundo ele, muitos PMs foram impedidos de trabalhar pelos mais radicais, mas, para ele, o movimento deve perder força, uma vez que a capacidade de pressão do motim era o medo da população, que agora está recuperando a normalidade.

"Os policiais amotinados estão num beco sem saída."

Jungmann informou que há ainda 3.130 homens das Forças Armadas e da Força Nacional nas ruas capixabas, efetivo maior do que a Polícia Militar normalmente mantém em patrulhamento. O reforço deve ficar no Estado até a quinta-feira, 16, mas esse período pode ser estendido por Temer caso haja alguma avaliação nesse sentido do governo estadual.

Rio de Janeiro. Sobre a situação no Rio de Janeiro, o ministro admitiu que há um protesto similar ao capixaba e que está acompanhando a situação, mas lembrou que os policiais não estão aquartelados.

"Estou em contato com o governador (Luiz Fernando) Pezão (PMDB), que disse que quase 100% do efetivo está na rua. De qualquer maneira, o Comando Militar do Leste está preparado para ocupar posições em caso de qualquer eventualidade", disse.

Ouça a entrevista do ministro da Defesa, Raul Jungmann, à 'Rádio Estadão':

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