Temer nega que PMDB pleiteie divisão de poder

Presidente do partido, vice de Dilma diz que o que pode acontecer é escolher 'um ou outro nome' da legenda para a equipe

Patrícia Villalba / RIO, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2010 | 00h00

O candidato a vice na chapa de Dilma Rousseff (PT) à Presidência, deputado e presidente do PMDB, Michel Temer, disse ontem que num regime de governo presidencialista quem distribui os postos no ministério é o chefe do Executivo. "Neste caso, presidenta", observou ele, negando que o PMDB já tenha dividido o governo "meio a meio" com o PT em troca de apoio a Dilma.

"Pode ser que o PMDB venha a ocupar cargos e ministérios, mas não existe essa coisa de dividir governo", afirmou. "O que pode acontecer é a presidente escolher um ou outro nome do PMDB e também dos outros partidos aliados."

Reportagem de ontem do Estado mostrou que a legenda estima o tamanho da cota futura de poder baseado no argumento de que agora, se Dilma ganhar, o partido não é mais "um convidado", mas um dos "donos da casa".

Temer cumpriu compromissos de campanha no Rio. Pela manhã, participou de um encontro com líderes evangélicos em Campo Grande. Depois, foi a um almoço com a comunidade árabe. Ali, garantiu que o PMDB fez apenas duas exigências para fazer a aliança com o PT. "No protocolo que firmamos em outubro do ano passado, estava escrito que o vice seria do PMDB e o programa de governo teria participação do partido, como tivemos. Neste momento, estamos juntando nossas propostas, para ter um programa de governo único", declarou.

O deputado disse ainda que a cúpula do PMDB não está insatisfeita com a participação que teve no governo Lula, tampouco com a escolha dos peemedebistas que fizeram parte do ministério. "Todos os ministros que estavam lá eram do PMDB e agiram em nome do partido para colaborar com o governo", enfatizou.

Em Brasília, Dilma também comentou a suposta ambição do aliado. "(O PMDB)não me manifestou sobre questões que estão na imprensa e que jamais foram comunicadas à minha coordenação, nem tampouco a mim. Enquanto não forem ditas a mim ou à minha coordenação, podem continuar saindo na imprensa que nós não levaremos em consideração", afirmou. "Não sabemos se essas questões são reais ou se fazem parte de especulações, que são muito normais nesta época de campanha." / COLABOROU VERA ROSA

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