Temer pede diálogo e critica ação da PF

Vice endossa conselho de Lula a Dilma para melhorar relação com aliados; para presidente da sigla, ''PMDB foi injustiçado'' na Operação Voucher

Gustavo Uribe, O Estado de S.Paulo

12 Agosto 2011 | 00h00

AGÊNCIA ESTADO

O vice-presidente da República, Michel Temer, pediu ontem mais diálogo do governo com o PMDB e disse estar "chocado" com a ação da Polícia Federal, que na terça-feira prendeu 35 pessoas do Ministério do Turismo - comandado pela sigla - investigadas por suspeita de corrupção. Apesar das declarações, o vice ponderou que "não há o mal-estar que se imagina" e que a aliança do PMDB com o PT é "sólida".

"De vez em quando eu ouço dizer que há provas robustas, mas onde estão as provas (sobre corrupção no Turismo)?", questionou Temer. "Confesso a vocês que a história das algemas pegou muito mal", afirmou. O secretário executivo da pasta, Frederico Silva da Costa, foi algemado ao ser detido durante a Operação Voucher, da PF. Outro integrante da cúpula da pasta, o ex-deputado federal Colbert Martins (PMDB), também foi preso.

"O PMDB tem uma relação muito sólida com o governo federal e é preciso apenas que haja maior diálogo, conversações que são comuns na relação entre o Legislativo e o Executivo", afirmou o vice, endossando o conselho dado anteontem pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à sua sucessora no Palácio do Planalto, Dilma Rousseff. Temer participou de evento de filiação do ex-governador de São Paulo Luiz Antônio Fleury Filho, na capital paulista.

"Foi uma grande injustiça o que fizeram com o PMDB", lamentou o presidente da sigla, senador Valdir Raupp (RO). Ele criticou o "excesso" da PF e o comportamento do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. "A informação que chegou a nós é a de que o ministro só foi informado na última hora, quando a operação já estava acontecendo, mas é uma coisa meio difícil de acreditar", alfinetou.

O peemedebista rebateu ainda a afirmação de aliados, que acreditam haver tratamento diferenciado para o PMDB na "faxina" promovida por Dilma. "Se isso que fizeram até agora foi tratamento privilegiado, com a prisão do Coubert Martins sem uma única prova, não sei então o que seria se não o tivesse", disse Raupp.

Sobre o conselho de Lula a Dilma, de que é preciso "repactuar a coalizão" , Temer afirmou: "Não usaria a palavra repactuação, mas é preciso manter muito sólida a relação entre PMDB e PT, com destaque ao governo federal", pregou o vice.

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