Temer põe feudo peemedebista na Funasa em dúvida

Vice admite que nome a ser definido ''não é necessariamente do PMDB''; legenda também disputa órgão de combate à seca no NE

Elder Ogliari e Christiane Samarco, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2011 | 00h00

O vice-presidente Michel Temer admitiu ontem que o PMDB pode ficar sem o comando da Fundação Nacional da Saúde (Funasa). Segundo ele, o líder do partido na Câmara, Henrique Alves (RN), discutiu o assunto com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. "O nosso Henrique Alves esteve conversando com o ministro Padilha e ajustaram que o nome seria definido mais adiante e em conversa comum. Não é necessariamente do PMDB", afirmou.

Em viagem a Porto Alegre, Temer frisou que a presidência da Funasa - um dos cargos mais cobiçados por seu partido - "será fruto de concordância entre o PMDB na Câmara e o ministro Alexandre Padilha". Um interlocutor de Henrique Alves contou que o líder telefonou para Padilha na quarta-feira para tratar do assunto. O parlamentar procurou o ministro depois de saber, por um deputado do PR que havia sido recebido por Padilha, que o governo não daria a presidência da Funasa ao PMDB.

Segundo a testemunha do telefonema, o ministro desmentiu a informação. "O Padilha disse ao Henrique que não tinha isso", relatou esse parlamentar. Segundo ele, Alves acredita que o partido manterá o comando da fundação. O deputado está certo de que, se tirarem a Funasa do PMDB, "vai dar muita confusão". Até porque, ele avalia, o partido foi apeado do posto mais estratégico do ministério, a Secretaria de Atenção à Saúde.

Dnocs. A presidência da Funasa não é o único cargo sob o qual Alves pode perder influência. Determinados a rachar o PMDB e cansados das exigências do peemedebista ao negociar cargos do segundo escalão, setores do governo aliaram-se ao PSB para derrubar sua indicação para o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs).

A tática fez uso de um abaixo-assinado levado ao ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, pelo governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), no qual a bancada de parlamentares cearenses reivindica o comando do Dnocs. O documento cita três argumentos: o órgão é vinculado ao Ministério da Integração, que está com o PSB do ministro Fernando Bezerra Coelho; a sede fica em Fortaleza; e o Rio Grande do Norte, terra dos Alves, já dirigiu o departamento nos últimos quatro anos.

Cid Gomes e a bancada de três senadores e 22 deputados do PT, PMDB e PSB aceitam um peemedebista no Dnocs, desde que seja um cearense. O nome mais forte é o do atual secretário de Recursos Hídricos do Ceará, César Pinheiro. Como o secretário é ligado ao senador eleito Eunício Oliveira (PMDB-CE), este apressou-se em procurar Henrique Alves para justificar seu nome no abaixo-assinado. Eunício explicou que não podia abdicar da função de representante do Estado e,por isso, não teria como se opor à reivindicação da bancada.

Essa estratégia de rachar o PMDB e, principalmente, fustigar Henrique Alves não é consenso dentro do governo e, segundo o interlocutor do líder peemedebista, a divisão tem justificativas. Para ele, se há quem esteja "pensando em dar a volta no Henrique", também deve haver gente avaliando o custo e vendo que "essa volta" pode não valer a pena. "O sucesso do PT nesta operação de cargos de hoje será o insucesso do governo amanhã. A conta vai ficar mais cara", advertiu o interlocutor, que até arriscou um palpite: "Isso vai dar mais uns cinco reais no salário mínimo".

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