Temer se irrita com deputado tuiteiro

Presidente da Câmara não gostou de críticas feitas em microblog pelo deputado Capitão Assumção e reunião terminou em bate-boca

Eugênia Lopes, Denise Madueño, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2010 | 00h00

Atrito. Capitão Assumção (centro), ao lado dos deputados Coronel Paes de Lira e Major Fábio: repreendido por Temer durante reunião de líderes partidários    

 

BRASÍLIA

Uma "tuitada" terminou em bate-boca entre o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e o deputado Capitão Assumção (PSB-ES). Aconteceu na reunião de ontem dos líderes partidários para discutir a emenda que fixa o piso salarial nacional para os policiais militares, civis e corpo de bombeiros.

Motivo do atrito: Assumção usou o twitter - um microblog pelo qual são enviados textos curtos, com até 140 caracteres - para passar informações da reunião, com críticas às lideranças partidárias e a Temer.

Irritado, o presidente da Câmara encerrou a reunião, depois de chamar a atenção de Assumção. "Aqui é uma Casa onde têm regras que se cumprem. Você é muito novo aqui", disse com veemência Temer, apoiado pelos líderes partidários.

"Se não posso me manifestar, então é melhor eu sair", afirmou Assumção. "Então, saia", reagiu a líder do PC do B, deputada Vanessa Graziotin (AM).

Diante do clima tenso, Temer encerrou abruptamente a reunião. Aliado dos policiais, Assumção passou informes, criticando a postura dos líderes. Antes já havia tentado filmar a fala dos líderes com o seu celular, mas foi repreendido por Temer.

"Acabei de ser admoestado pelo presidente Michel Temer para não gravar a reunião de líderes", escreveu. "Não poder filmar é o cúmulo do absurdo."

"Líderes estão matando a PEC 300", disse, referindo-se à proposta de emenda constitucional (PEC) que trata da fixação de piso nacional para os policiais.

No twitter, o deputado acusou Temer de querer "sepultar" a emenda ao propor a criação de uma comissão para tentar fechar um texto sobre a remuneração da categoria. "Temer, sepultando a PEC, quer criar 1 comissão", escreveu Assumção. "É muita hipocrisia. Por favor, me digam: estamos na democracia?"

Alvos. Além de Temer, Assumção também bateu boca com os deputados Carlos Willian (PTC-MG) e Fernando Ferro (PE), que é líder do PT. Outro alvo foi o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP). O Palácio do Planalto é contra a PEC 300.

"Vaccarezza diz que Lula já dá a bolsa formação. É de rir", disse Assumção. Foi Vaccarezza, aliás, quem imprimiu as mensagens do twitter do deputado e entregou a Temer."Vaccarezza diz que tem apoio dos policiais paulistas e que vai pedir votos nos quartéis", escreveu. "Vaccarezza diz que não admite coação."

Diante da indignação dos líderes, Assumção se defendeu no twitter. "Traço a panorâmica depois no espaço que ninguém pode falar nada. E pensar que o povo brasileiro acha que vivemos numa democracia", escreveu. "Não há dúvidas de que o que menos estamos vendo é liberdade de expressão. Se parlamentares estão sendo admoestados."

Mais tarde, Assumção explicou sua atitude: "Eu ia colocando o que eles falaram. Esse é um hábito meu desde que percebi que estavam procrastinando a votação da PEC 300. Os líderes combinaram, através do Vaccarezza, de abafar todas as PECs, de só votar depois das eleições."

Assumção afirmou que não está preocupado com uma eventual abertura de processo por falta de decoro parlamentar. "Passei 25 anos de minha vida nas ruas, em rádio-patrulhas. Vou me preocupar com isso? É uma forma democrática de expressar meu pensamento e defender minha categoria."

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