Temer vai à CNBB para explicar posição da presidenciável do PT

Para o candidato a vice de Dilma, o debate sobre aborto está 'bloqueando' [br]o embate de ideias na campanha

Ana Paula Scinocca / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

15 Outubro 2010 | 00h00

Em mais uma investida da campanha de Dilma Rousseff (PT) para se aproximar dos católicos, o candidato a vice-presidente, Michel Temer (PMDB), procurou ontem a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília, para reafirmar a posição da petista contrária ao aborto.

Para Temer, a discussão em torno do aborto foi útil para que tanto Dilma quanto o candidato do PSDB, José Serra, colocassem suas posições. Mas o debate sobre o tema, insistiu, está "bloqueando" o embate de ideias na campanha. "Não se pode ficar só nesse tema. É preciso ampliar o discurso", defendeu.

O PT tem pressa em tirar o tema do aborto da campanha. O comando da campanha petista avalia que a questão ajudou a empurrar a eleição para o segundo turno. Temer ficou reunido com o secretário-geral da CNBB, d. Dimas Lara Barbosa, com o assessor político da entidade, padre José Ernanne Pinheiro, e com Carlos Moura, membro da Comissão Brasileira Justiça e Paz, por cerca de 40 minutos. "Essa discussão atrapalha o debate de ideias e a escolha do melhor candidato", insistiu Temer.

Para o candidato a vice na chapa de Dilma, os temas religiosos já tiveram seu momento "mais agudo" e agora tendem a desaparecer. "Direito à vida vai além da questão do aborto. É também garantir, como o governo garantiu, uma vida mais digna", disse, mencionando a melhoria nos indicadores econômicos.

Antes da visita à CNBB, Temer visitou o presidente da Ordem dos OAB, Ophir Cavalcante. Disse que foi prestar uma "homenagem", mas na saída ressaltou a importância da democracia e a defesa das liberdades de expressão e imprensa.

Temas como o aborto e a defesa da democracia têm dominado a campanha eleitoral e, segundo pesquisas, foram decisivos para que a disputa presidencial não terminasse no primeiro turno.

Sobre as pesquisas divulgadas ontem, Temer disse que não ver motivo para preocupação. "Estamos na frente. A perspectiva de vitória é nossa."

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