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Temor de golpe trava lista de vítimas

Parentes não querem divulgar nomes para evitar estelionatários

Pedro Dantas, O Estadao de S.Paulo

04 de junho de 2009 | 00h00

O advogado Marco Túlio Moreno Marques, que perdeu os pais no acidente da Air France, revelou ontem que muitos familiares que estão no Hotel Windsor, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, não queriam a divulgação dos nomes dos parentes que morreram no acidente, com medo da ação de golpistas. "Todos se lembram que, na época do acidente da Gol, oportunistas usaram nomes das pessoas mortas para fazer compras e abrir financiamentos. Os familiares das vítimas tiveram sérias dificuldades no momento do inventário por causa das dívidas contraídas pelos falsários", afirmou o advogado.Marques se referiu ao acidente com o Boeing 737-800, com 154 pessoas a bordo, que desapareceu do radar quando voava de Manaus para Brasília. Não houve sobreviventes. Depois ficou apurado que a queda foi provocada pelo choque da aeronave com um avião Legacy, pilotado por americanos.O advogado também não queria os nomes dos pais na lista da Air France - que até as 20 horas de ontem não havia sido divulgada. Depois ele se conformou. "Não adiantou muito porque a imprensa publicou antes", disse. Segundo ele, os pais viajavam para Paris "como quem viajava a Petrópolis (região serrana do Rio). No domingo, o casal José Gregório, de 72 anos, e Maria Thereza Moreno Marques, de 69, embarcaram para comemorar o aniversário de Gregório na França. Dante D?Aquino, advogado da associação formada por parentes das vítimas do voo da Gol, citado por Marques, tem avaliação diferente sobre a função da lista. "A ausência da divulgação atende mais aos interesses da empresa aérea do que a proteção das familiares", opinou. "É por meio dos nomes divulgados que há comunicação entre os familiares e mobilização para exigir os direitos", defendeu o advogado ao falar que o argumento de preservar os parentes de estelionatários é frágil. "Diariamente estamos expostos. Não é a divulgação que move grupos de criminosos."Luiz Roberto de Arruda Sampaio, advogado da Associação Brasileira de Parentes de Vítimas de Acidentes Aéreos - que reúne em maioria familiares dos 99 mortos no acidente do Fokker 100 da TAM em 1996 - também não considera a divulgação dos nomes prejudicial, mas não vê vantagens nisso. "Avalio que a divulgação é válida por ser uma informação que o público deseja", disse. "Mas, se fosse verdade que a divulgação atrai bandidos, os jornais deveriam ser proibidos de publicar o obituário."

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