'Temos o menor PIB, mas não somos o Estado mais pobre'

ENTREVISTA

Loide Gomes ESPECIAL PARA O ESTADO BOA VISTA, O Estado de S.Paulo

22 Outubro 2010 | 00h00

Anchieta Júnior, governador e candidato à reeleição pelo PSDB

Roraima tem o menor PIB do País e a economia mais atrelada ao poder público. Como fugir da economia do contracheque? Haverá aumento de impostos?

Temos o menor Produto Interno Bruto, mas não somos o Estado mais pobre. Até o próximo ano seremos o melhor da região em saneamento básico e o nosso Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é crescente. Estamos construindo as bases para a consolidação de uma economia forte, com o asfaltamento de rodovias, a titulação das terras, que até o ano passado eram da União, geração própria de energia e integração ao sistema nacional, investimentos maiores em educação. Estamos criando as condições para definir uma nova matriz econômica e defendemos a diminuição da carga tributária.

Qual será a principal estratégia do seu governo?

A priorização do investimento no homem, a formação de capital intelectual. Temos 6% da população cursando uma faculdade. É preciso estimular a pesquisa e oferecer meios para que esse contingente seja inserido no processo de desenvolvimento de um Estado com questões próprias da Amazônia.

Como o senhor pretende aliar desenvolvimento com preservação ambiental? Qual o projeto para frear o desmatamento e as queimadas?

Só existe desenvolvimento com sustentabilidade. Venderam ao Brasil que a Amazônia é só floresta. Em Roraima, temos cinco diferentes biomas, dos quais uma imensa área de campos naturais, onde se pode plantar e colher em grandes quantidades, sem que seja preciso derrubar uma só árvore. As políticas que temos implementado já põem freio ao desmatamento e às queimadas rudimentares.

O seu governo vai intensificar políticas para a educação, saúde, segurança ou outro setor básico, como moradias populares?

Educação de qualidade é o nosso grande desafio. Pagamos um dos melhores salários de professores do País, mas é preciso investir muito mais e estabelecer um mesmo padrão de qualidade do ensino - de ponta - em toda a rede pública. Saúde e segurança, hoje compartilhadas com o governo federal e com os municípios em todo o País, aqui na Amazônia têm aspectos singulares, em função, por exemplo, das reservas indígenas e das imensas fronteiras desguarnecidas, e isso precisa ser revisto urgentemente.

Como o apoio aos candidatos à Presidência, em segundo turno, vai ajudá-lo a governar o Estado?

Meu partido, o PSDB, enxerga a Amazônia como parte integrante do território nacional, e não como algo à parte, onde se pode praticar experiências que não se ousariam praticar em regiões de maior peso eleitoral e político, como o Sul e o Sudeste. O Serra teve maioria aqui, no primeiro turno, e isso vai se repetir no segundo turno, em função do nosso trabalho e de práticas impopulares do governo federal, com reflexos diretos na vida da população do Estado.

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