Efe/Governo de Santa Catarina
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Temporal deixa 4 mortos e famílias desabrigadas em SC

Vendaval pode ter sido provocado por tornado; 1,5 milhão de pessoas foram atingidas por tempestade

Júlio Castro, especial para O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2009 | 15h20

Um forte e repentino temporal, com ventos de mais de 100 km/h, causou a morte de quatro pessoas em Guaraciaba, no extremo oeste de Santa Catarina, e deixou outras feridas 64 pessoas, sendo que 40 delas foram hospitalizadas. Pelo menos 70% das residências do município ficaram danificadas. Os meteorologistas ainda não confirmaram oficialmente, mas suspeitam da ação de um tornado na região. O temporal ocorreu na madrugada de terça-feira, 8. Os danos fazem voltar à memória a tragédia que o Estado viveu no fim de 2008 (leia abaixo).

 

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Conforme informações da Defesa Civil de Santa Catarina, foram registradas ocorrências em outros 36 municípios. Cerca de 1,5 milhão de pessoas foram atingidas pela falta de energia devido a intempérie. Alguns feridos que foram atendidos nos hospitais da região disseram ter visto pessoas sendo levantadas do solo pela força do vento.

 

Técnicos da Defesa Civil informaram que São Domingos, também no oeste do Estado, decretou situação de emergência. O município, até o final desta tarde se mantinha sem comunicação. Outros municípios, como Vargem Bonita, com registro de destelhamento em 180 residência, permanecia sem o fornecimento de água e energia elétrica. Em Abelardo Luz ocorreu a precipitação de chuva de granizo causando prejuízos em pelo menos 370 residências.

 

O município de Coronel Martins se mantinha sem comunicação e energia elétrica provocados por destelhamentos e quedas de árvores. Monte Castelo informou aos técnicos da Defesa Civil Estadual a existência de cerca de 100 residências atingidas, com pelos menos dois feridos, sendo uma vítima de enfarte e 80 desabrigados.

 

Penha, na foz do Rio Itajaí-Açu estava sem água e sem eletricidade, além de contar com 150 residências atingidas pelas chuvas. Em Blumenau, no Vale do Itajaí, foram verificados destelhamentos, quedas de árvores e o desabamento de um galpão da empresa de transporte coletivo.

 

Foram registradas ocorrências em Itajaí, Jaraguá do Sul, Navegantes, Porto União, Schroeder, Santa Cecília, Canoinhas, Santa Terezinha, Faxinal dos Guedes, Tigrinhos, Guaramirim, Rio das Antas, Lebon Régis, Joinville, Itaiópolis, Salto Veloso, Bom Jesus, São Bento do Sul, Campo Erê e São Bernardino.

 

Danos

 

De acordo com o secretário da Defesa Civil Estadual, major Márcio Luiz Alves, o trabalho da Defesa Civil municipal está em pleno andamento, com a contabilização dos danos e prejuízos causados pelas intempéries. Segundo ele, os números devem aumentar com o repasse das informações para a Defesa Civil Estadual. "Acreditamos que esta ação tenha sido provocada por um tornado a magnitude da destruição. Foi algo assombroso", afirmou Márcio Luiz Alves, enquanto visitava a região atingida.

 

Casas, segundo constatou, teriam sido arremessadas a mais de 50 metros de distância de seu local original. Ele não descarta a possibilidade do vento ter alcançado a velocidade de até 200 km/h.

 

O temporal foi provocado pela forte instabilidade em todo o Sul do Brasil devido ao avanço de uma frente fria. Foram registrados chuva moderada a forte, muita atividade elétrica e temporais com granizo e ventos fortes acima de 60 km/h na maioria das regiões, ultrapassando os 100 km/h em vários municípios catarinenses, principalmente entre os que fazem fronteira com a Argentina.

 

Temporal destruíu escola em São Miguel do Oeste. Foto: Efe/Governo de Santa Catarina

 

Tragédia em Santa Catarina

 

As fortes chuvas e ventos que atingiram cidades de Santa Catarina trazem à memória a tragédia que o Estado viveu entre os últimos meses de 2008 e o início de 2009. Ao todo, 135 pessoas morreram por causa dos temporais, principalmente em municípios da faixa litorânea do Estado. Por causa dos deslizamentos de terra, alagamentos e transbordamentos de rios, mais de 30 mil pessoas ficaram sem casas na região. Famílias viveram o drama de perder tudo o que tinham.

 

A principal região afetada foi o Vale do Itajaí, banhada pelo rio de mesmo nome. Trechos inteiros de rodovias foram danificados por causa de desmoronamentos de encosta, cidades ficaram incomunicáveis e sem energia por dias. Em período de alta temporada, a estimativa de prejuízo para o setor turístico foi de R$ 120 milhões. Ao todo, a estimativa de perdas para os setores econômicos da região chegou a R$ 300 milhões.

 

Para ajudar no resgate de pessoas e corpos, o Exército, a Força Nacional de Segurança (FNS) e agentes do Corpo de Bombeiros de outros Estados se mobilizaram. Em uma semana, houve 4 mil deslizamentos de terra apenas na região do Morro do Baú, uma das mais atingidas. Com medo de perder tudo o que tinha, famílias se recusavam a deixar suas casas e precisavam ser removidas à força.

 

O restante do Brasil, na época, se mostrou solidário. Várias pessoas colaboraram doando comida, roupas e dinheiro para a reconstrução de lares. No entanto, o espírito de ajuda não foi compartilhado por todos: pessoas responsáveis pela triagem do material doado acabaram recolhendo peças e mantimentos para si. Desde civis até soldados do Exército estavam envolvidos no furto de doações.

 

Depois de tudo, vieram as doenças. Ainda com chuvas, as cidades começaram a viver surtos de leptospirose devido à grande quantidade de lixo e animais mortos que ficaram nas águas. Centenas de pessoas acabaram contaminadas pela doença.

 

Para ajudar na reconstrução das cidades, o governo concedeu benefícios para moradores e empresas das regiões atingidas. Impostos poderiam ter pagamentos adiados; fundos monetários foram liberados para criação do "bolsa enchente" e o governo federal repassou verbas para os Estados e municípios.

 

Atualizado às 19h19 para acréscimo de informações

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