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Novo temporal em Petrópolis deixa pelo menos seis mortos

Novas mortes aconteceram pouco mais de um mês após tragédia ter vitimado pelo menos 233 pessoas. Defesa Civil mantém alerta para risco alto de deslizamento por causa das chuvas

Marcio Dolzan, Rio

21 de março de 2022 | 07h59
Atualizado 22 de março de 2022 | 17h39

RIO - Ao menos seis pessoas morreram na cidade de Petrópolis, na Região Serrana do Rio, após novos temporais que atingem a cidade desde a tarde deste domingo, 20. Os bombeiros resgataram uma pessoa com vida e há três outras desaparecidas. As chuvas na região já tinham deixado 233 mortos há cerca de um mês e a cidade ainda se recuperava dos estragos.  

Duas mortes foram registradas no Morro da Oficina, no Alto da Serra, a região mais atingida na chuva de 15 de fevereiro, onde foram registradas mais de 80 mortes. Duas na Rua Washington Luiz, uma das principais do centro da cidade. Uma na Rua Pinto Ferreira, no bairro Valparaíso.

Nas últimas 24 horas, houve acumulado pluviométrico de 534.6 milímetros de chuva, o maior índice já registrado na história de Petrópolis. Em dez horas, choveu 415 milímetros somente na região de São Sebastião. Ao todo, 574 pessoas foram atendidas em pontos de apoio. As demais localidades com maior registro de chuva foram Coronel Veiga com 375,2 milímetros, Dr. Thouzet com 363,8 milímetros e Vila Felipe, com 337,4 milímetros. 

A Defesa Civil registra 126 ocorrências até o momento (107 foram por escorregamentos) e mantém o alerta para a previsão de mais chuva forte nesta segunda-feira ,21, com alto risco de deslizamentos, principalmente no primeiro distrito.

“Ainda temos previsão de chuva, pedimos que a população fique atenta aos nossos informes”, pontuou o secretário de Defesa Civil, o tenente-coronel Gil Kempers. 

O governador do Rio, Cláudio Castro (PL), está a caminho de Petrópolis, onde deverá se encontrar com o prefeito Rubens Bomtempo para discutir formas de auxílio ao município. Ele afirmou que já liberou R$ 200 milhões para obras emergenciais na cidade. Segundo o governador desde a noite de domingo, 150 bombeiros já estão trabalhando na região inundada pelas fortes chuvas.

Vídeos publicados nas redes sociais mostram alagamentos enfrentados novamente pela população de Petrópolis.

Entre as regiões mais afetadas pela chuva estão: Alto da Serra, Vila Felipe, São Sebastião, Quitandinha, Castelânea, Chácara Flora, Centro, Quissamã, Morin, Independência, Mosela, Siméria, Caxambu, Coronel Veiga, Estrada da Saudade, Saldanha Marinho, Vila Militar, Bingen, Carangola, Floresta, Itaipava, Provisória, Quarteirão Brasileiro e Valparaíso.

 

​Tempestade causou deslizamento e deixou 233 mortos há um mês

Em 15 de fevereiro, pouco mais de um mês, uma forte tempestade provocou o deslizamento de encostas e casas, matando 233 pessoas; a maior tragédia já ocorrida na cidade. Ainda há quatro pessoas desaparecidas e 700 desabrigadas. Naquele dia, em seis horas, foram registrados 259 milímetros de chuva, mais do que era esperado para todo o mês de fevereiro.

As novas mortes chegam em um momento em que os moradores da cidade buscavam retomar a rotina em meio ao trauma. Era o caso da auxiliar de serviços gerais Viviane de Souza Ribeiro, de 42 anos, que perdeu quatro parentes e teve a sua casa atingida pela lama. 

Pontos de acolhimento

Com a previsão de chuva moderada a forte, podendo se intensificar até esta segunda-feira, a Secretaria de Defesa Civil acionou os responsáveis pelos pontos de apoio em diferentes localidades, para que fiquem de sobreaviso para possível acionamento.

Todas as sirenes foram acionadas para o toque de mobilização e, durante a vigência da chuva, continuarão sinalizando o risco de escorregamento nas localidades. 

Até o momento, 13 pontos de apoio estão abertos para o atendimento de 643 pessoas das localidades do Morin, Quitandinha, Amazonas, Vila Felipe, Sargento Boening, São Sebastião, Dr. Thouzet, Alto da Serra, Floresta, Independência e Siméria. 

A recomendação é que, em caso de emergência, a população seja direcionada aos locais de acolhimento onde permanecerá em segurança até que a chuva cesse.

Segundo a pasta, 13 estruturas - a maior parte delas em escolas da rede pública - estão preparadas para receber os moradores de áreas de risco. Outros locais serão abertos de acordo com a necessidade e a partir do acionamento da Defesa Civil.

  • Alto da Serra – E. Comunidades Santo Antônio (Rua Coronel Albino Siqueira, 197)
  • Ato da Serra – Paróquia Santo Antônio (Rua Santo Antônio, 245)
  • 24 de Maio – COMAC – E.M. Germano Valente (Rua Dr Sá Earp, 88 - Morin)
  • Vila Felipe - E.M. Dr. Rubens de Castro Bomtempo (Rua Hermínio Schmidt, s/n)
  • Sargento Boening - E.M. Ana Mohammad (Estrada do Paraíso, Nº 701)               
  • São Sebastião - E.M. Papa João Paulo (Rua São Sebastião, 625)
  • Siméria - E.M. Rosalina Nicolay (Est. Presidente Sodré,  Nº 1026)      
  • Independência - E.M. Alto Independência  (Rua Leonor Maia, Nº 1670)
  • Dr. Thouzet - Escola Paroquial Bom Jesus (Rua Dr. Thouzet, Nº 820)
  • Quitandinha 1 / Amazonas - E.M. Stefan Zweig  (Rua Sergipe, 49)
  • Quitandinha 2 / Ceará  - E.M. Marcelo Alencar (Avenida Amaral Peixoto s/n)
  • Quitandinha 3 / Espírito Santo – E.M. Marcelo Alencar (Avenida Amaral Peixoto s/n)
  • Quitandinha 4 / Duques – E.M. Odette da Fonseca (Estr. Rio-Petrópolis, km 85)
  • Quitandinha 5 / Rio de Janeiro – C.E.I. Chiquinha Rolla  (Rua Campos s/n)           
  • Bingen - Salão Paroquial São Paulo Apóstolo (Rua João Xavier s/n)
  • Gentio - E.M. Dr. Paula Buarque (Est. de Teresópolis Km 2, s/n)
  • Vale do Cuiabá - Quadra do Boa Esperança  (Est. Min. Salgado Filho s/n)
  • Floresta - E.M. Duque de Caxias (Travessa Luciano Camarota,78)
  • Caxambu – E. M. Senador Mario Martins (Rua Flávio Cavalcante, s/n)

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