Temporal provoca caos no Rio

Pelo menos 12 pessoas morreram, entre elas três crianças, durante o temporal que castigou o Rio initerruptamente por 12 horas ontem. Ainda há muitos desaparecidos, principalmente em Petrópolis, na Região Serrana. A chuva, com rajadas de vento que chegavam a 81 quilômetros por hora, começou por volta das 20 horas de domingo e, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, representou o mesmo volume pluviométrico de um mês inteiro. O maior número de vítimas foi no Morro do Alemão, em Olaria, um dos maiores complexos de favela do Rio. Lá, uma família inteira foi soterrada durante a madrugada. Teresa Firmino Texeira, de 36 anos, morreu enquanto dormia ao lado dos três filhos: Michelle, de 17 anos, Nádia, de 14 anos, e Guilherme, de 4. "Caiu tanta terra, lama e pedra que foi difícil encontrar os documentos para poder enterrar minha irmã e as crianças", dizia, em estado de choque, Sônia Firmino Teixeira, de 33 anos, irmã de Teresa. A casa de Teresa também está interditada, mas Sônia diz que, apesar do perigo, terá de voltar para o local, porque não tem para o onde ir. Segundo ela, há três anos os moradores vêm apelando à Defesa Civil para construir um muro de contenção no local, que estava sob ameaça de desabamento. Os corpos foram velados durante toda a manhã na Associação de Moradores da favela.Vários municípios foram atingidos. A cidade do Rio parou e todos os funcionários da Defesa Civil e do Corpo dos Bombeiros foram mobilizados no atendimentos às vítimas. Além dos quatro mortos do complexo do Alemão, morreram quatro pessoas em Petrópolis (região serrana), duas em Niterói (Grande Rio), uma em Paracambi (Baixada Fluminense) e uma no Morro dos Macacos (Vila Isabel, na zona Norte no Rio). A Defesa Civil ficou em estado de alerta permanente e fez um apelo à população para não sair de casa, mesmo sendo véspera de Natal.O caos na cidade foi tanto que o próprio subsecretário da Defesa Civil, Jorge Lopes, ficou ilhado no final da manhã no quartel-general, na Praça da Bandeira, zona norte. Árvores tombaram, as ruas ficaram alagadas em diversos pontos e barreiras deslizaram. Em Petrópolis, um dos municípios da Região Serrana com maior número de favelas, houve o maior número de queda de encosta. A Defesa Civil ainda estava trabalhando na procura de vítimas entre os escombros. Há muitos desaparecidos no local.Em outros pontos do Estado não foi muito diferente. Ruas intransitáveis, canais e rios transbordando trouxeram o medo aos moradores. Em Niterói, município do Grande Rio, um barraco desabou na Rua Coronel Guimarães e duas senhoras não identificadas morreram soterradas. Uma outra casa ruiu no bairro do Viradouro e duas pessoas estão desaparecidas, entre elas uma criança de cinco anos. A situação ficou dramática também em Icaraí, onde o canal da Avenida Comandante Ary Parreiras transbordou. A Prefeitura de Petrópolis confirmou a morte de quatro pessoas: um homem no bairro do tradicional bairro do Quintandinha, um casal em Indaiá e uma criança no bairro Valparaíso. A Prefeitura montou dois centros de coleta de alimentos e roupas para os desabrigados das chuvas. Cerca de 400 pessoas estão trabalhando desde cedo no socorro aos moradores dos bairros mais atingidos. Lopes recomendou aos motoristas que evitem a estrada Rio-Petrópólis, onde existem cinco barreiras. Outra criança morreu em Paracambi, na Baixada Fluminense, onde o caos se instalou. Em Duque de Caxias um canal transbordou em Campos Elíseos, deixando várias casas alagadas na Rua Pedro Toledo e proximidades. Segundo os moradores do local, o canal já está assoreado há algum tempo. Em Nova Iguaçu, Mesquita e Queimados, há muitas ruas alagadas. Os pontos de maior problema foram os mais próximos a canais e valões. Bombeiros de Campo Grande e do Grupamento Marítimo tiveram que montar um esquema com helicópteros e botes para resgatar os moradores próximos ao Rio Guandu, no distrito de Seropédica, que transbordou. Em Jacarepaguá, na zona oeste, casas de uma vila no meio da Estrada Rodrigues Caldas, na Taquara, foram inundadas.

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