Temporão vê 'lengalenga' no debate sobre CPMF

Ministro diz que saúde precisa de mais recursos e critica fato de no passado contribuição ter sido usada para fazer superávit

Tânia Monteiro ENVIADA ESPECIAL/MAPUTO, O Estado de S.Paulo

10 Novembro 2010 | 00h00

MAPUTO

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, defendeu a necessidade de mais recursos para o setor e rebateu os argumentos de que falta ao setor uma gestão melhor. Sobre a discussão quanto à volta da CPMF para financiar a saúde, Temporão disse que precisa de algo em torno de R$ 50 ou R$ 60 bilhões.

"Existem algumas vozes, para mim, minoritárias, e isso é positivo, que vêm com a velha ladainha, lengalenga, de que a saúde precisa de mais gestão. Quem fala isso, fala de cima de seus magníficos planos de saúde e acha que o povo tem de ter uma saúde de segunda categoria."

Temporão condenou os desvios ocorridos no passado com os recursos da CPMF para fazer superávit primário pela área econômica e tapar outros buracos do orçamento. "Qualquer solução que venha a ser implementada tem que romper radicalmente com o que aconteceu com a CPMF, onde foi vendida à sociedade brasileira uma solução para o financiamento e se revelou que essa solução não resolveu absolutamente nada. Os recursos foram desviados", declarou.

O importante, na opinião do ministro, é que a sociedade, neste momento, voltou a discutir a necessidade de existirem novos recursos para o setor de saúde. Ele acha também que o Congresso, ao estabelecer novas fontes de financiamento, tem de estar atento para não deixar brechas que permitam que os recursos sejam desviados para outras áreas, como aconteceu no passado.

"Essa é uma discussão legítima e justa", avaliou o ministro. "Tem gente que é radicalmente contra a criação de um novo imposto; gente que é a favor. O que eu defendo é que isso seja debatido de maneira bastante ampla pela sociedade brasileira. O que não podemos é correr o risco de manter a saúde como está e alegar que precisa de mais gestão", disse.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.