Tenente diz que Polícia Rodoviária atrapalhou trabalho da PM

Responsável pelas negociações nas seis primeiras horas de seqüestro do ônibus da linha 499 na Rodovia Presidente Dutra, na Baixada Fluminense, em que o camelô André Luiz Ribeiro fez cerca de 40 pessoas reféns, o comandante do Policiamento da Baixada, tenente-coronel PM Sérgio Meinicke, acusou a Polícia Rodoviária Federal (PRF) de ter "atrapalhado muito" seu trabalho. Meinicke disse que o objetivo da PM era não interromper o tráfego na Rodovia Presidente Dutra, conduzindo o ônibus até uma via lateral.No entanto, de acordo com Meinicke, os policiais rodoviários bloquearam o coletivo, que acabou estacionado no quilômetro 176 da rodovia, ao lado de uma lanchonete da rede Habib´s, após perseguição policial. "É muita gente pensando. A PRF queria até dar um colete para ele. Não sei quem estava à frente da PRF", disse o coronel, que deu entrevista por volta das 14 horas, logo depois de ser afastado do comando da negociação pelo comandante-geral da PM, coronel Hudson de Aguiar.Em substituição a Meinicke, três negociadores do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da PM assumiram o trabalho. "Optamos por um outro tipo de ação, com os técnicos do Bope", declarou Aguiar. A principal diferença em relação ao caso do seqüestro do 174 foi a aplicação de um isolamento que impediu a aproximação de pessoas do ônibus e a ausência dos atiradores de elite que, em 2000, mantiveram o seqüestrador sob mira durante todo o tempo.A eventual participação de policiais civis na negociação foi mais um fator que mostrou o desentendimento entre os comandos das polícias Militar e Rodoviária Federal. Por volta das 11 horas, o inspetor Rossano de Oliveira, chefe da 6.ª Delegacia da PRF na Dutra, disse que a chegada de uma equipe de negociadores da Polícia Civil estava prevista. Duas horas depois, o comandante da PM afirmou que o coordenador da operação era o tenente-coronel Meinicke e que a Polícia Civil não participaria da negociação.O inspetor Hélio Dias, chefe da Comunicação Social da PRF no Estado e que participou da operação, negou a hipótese de desentendimento entre as corporações. Dias disse acreditar que a PM aprendeu com o episódio do ônibus 174 e adotou procedimentos diferentes, como o isolamento da área. Apesar do elogio, o inspetor afirmou que a troca de comando durante o processo "não é muito indicada". "O seqüestrador precisa ter confiança em alguém", disse Dias, que ressaltou não estar julgando o trabalho das instituições. "A negociação não está a cargo da PRF, apesar de termos aqui policiais preparados para isso", acrescentou. "O trabalho da polícia foi perfeito", declarou, logo após o desfecho do caso, no início da noite de ontem, o coronel Romilton Souza, comandante do Batalhão de Choque da PM.

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