''Tenho vergonha de ser brasileira'', diz mãe de vítima

Ontem foi um dia de indignação em uma casa em São Carlos (SP). Lá morava o estudante Diego Mendes Modanez, morto por Thales Schoedl. A mãe do rapaz, Sônia Mendes Modanez, de 50 anos, disse ''ter vergonha de ser brasileira'' e ironizou a decisão dos 23 desembargadores do TJ. ''Sabíamos que seria uma briga muito difícil, porque ele é promotor, é influente. Eu e principalmente meu filho somos peixe pequeno neste oceano. Mas o que me deixa mais magoada é eles (desembargadores) aceitarem que foi legítima defesa. Foi provado pelo legista que esse infeliz (promotor) não tinha marca nenhuma de agressão. Foi provado que meu filho, quando sofreu o segundo tiro mortal, estava no chão, deitado ou ajoelhado, e isso parece que esqueceram'', diz a mãe. ''Agora tive uma certeza: você já viu lobo comer carne de lobo? Eu nunca vi'', diz Sônia, alegando que os desembargadores nunca iriam punir um promotor num julgamento. ''Eles estão colocando um assassino de volta para os quadros da promotoria. O Estado está dando a chance de poder voltar a matar. Mas, é claro, só pode se for rico. Se for rico, você pode sair alegando legítima defesa. Se for rico, pode se esconder e depois se apresentar alegando legítima defesa. Eu queria dormir e nunca mais acordar. Se eu pudesse, embarcaria para fora do País e nunca mais voltaria porque as leis são vergonhosas.''Ela ainda ironizou o choro do promotor ao saber do resultado do julgamento. ''Ele chorou lágrimas de crocodilo, porque esse resultado estava pronto.'' Ela recebeu e-mails e telefonemas de apoio. ''As pessoas estão envergonhadas porque sabem que pobre, se roubar leite, fica seis meses preso, mas promotor pode matar e ficar livre. Ele foi absolvido, mas será sempre lembrado como um assassino.''

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