Tensão marca convívio entre grupo de Marina e ''velho PV''

Aliados da ex-senadora veem desinteresse na promoção de mudanças pela cúpula, que identifica precipitação nas propostas

, O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2011 | 00h00

Antes de Marina Silva filiar-se ao PV, no ano passado, ficaram acertadas duas mudanças internas com a cúpula do partido. A primeira seria a reformulação do programa, o que aconteceu antes da eleição, com o intuito de destacar a questão da sustentabilidade como eixo de ação política. A segunda, que seria a reestruturação interna, com o objetivo de democratizar a vida partidária, ainda não aconteceu e está provocando mal-estar entre as duas principais forças do PV.

De um lado, pessoas ligadas ao grupo que desembarcou no partido com Marina identificam lentidão e desinteresse no encaminhamento das mudanças. Querem aproveitar o sucesso eleitoral do ano passado para promover filiações e desencadear um processo de renovação dos cargos de direção - destinado a estancar um resistente fisiologismo partidário, principalmente nos Estados. Na outra ponta, militantes próximos ao presidente verde, deputado José Luiz Penna (SP), veem precipitação nas propostas de democratização e dizem temer que o partido afunde no assembleísmo.

Uma das formas encontradas para reduzir a tensão será um seminário sobre democracia partidária, organizado pela Fundação Verde Herbert Daniel, vinculada ao partido. A data ainda não foi definida, mas o evento deve ocorrer até o fim de março, antecedendo o palco decisivo, a convenção nacional, prevista para alguma data entre maio e junho.

As lideranças do partido negam o mal-estar. "Não existe tensão. Tudo aponta para o mesmo rumo. As diferenças são apenas de metodologia", diz Penna.

Segundo o vice-presidente, deputado Alfredo Sirkis (RJ), os debates ainda nem começaram: "A executiva nem se reuniu. A proposta é de mudança, porque, após 20 milhões de votos, não se pode agir como se nada tivesse acontecido."

Ainda segundo Sirkis, é impossível prever se o debate será tranquilo. De um lado, observa, pesa na discussão que os milhões de votos não foram para o PV, mas para Marina; de outro, partidos não gostam de mudar: "São conservadores por natureza."

Em São Paulo, o presidente do diretório estadual, Maurício Brusadin, diz que a dúvida maior envolve a forma de mudança: "Eu defendo um período de transição entre a estrutura atual e a abertura."

Marina quer o arejamento da estrutura, na qual a maior parte dos diretórios estaduais são escolhidos diretamente pela presidência nacional e se eternizam no posto. Mas admite que as mudanças não podiam ser feitas no ano passado por causa das eleições. Ela também ameniza o tom do debate ao afirmar que sem a legenda do PV não teria os votos que teve.

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