Tentativa de roubo em terminal deixa 1 morto e 9 feridos em SP

Em Santo Amaro, bandidos tentaram levar dinheiro de vigias de transportadora; houve troca de tiros e pânico

Rodrigo Pereira, O Estadao de S.Paulo

23 Abril 2008 | 00h00

file://imagem/93/santoamoro.jpg:1.93.12.2008-04-23.32 Um bandido morreu e outras nove pessoas ficaram feridas em uma tentativa de assalto no Terminal Santo Amaro, na zona sul de São Paulo, no fim da manhã de ontem. A ação tinha como alvo um malote com R$ 60 mil da bilheteria, que três vigias da transportadora de valores Transnacional foram buscar. Houve intensa troca de tiros, durante três minutos. O terminal de ônibus é um dos mais movimentados da capital - 120 mil pessoas passam lá todos os dias. Um dos assaltantes, Fernando Dias Besoni Santos, de 21 anos, com passagem na polícia por roubo, morreu no local. Segundo a Polícia Civil, sete passageiros e dois vigias da empresa de valores ficaram feridos. Nenhum corria risco de morte. As vítimas foram levadas ao Hospital Regional Sul, ao Pronto-Socorro de Santo Amaro e a outros hospitais da região. Embora os vigilantes tenham visto apenas dois assaltantes, a polícia acredita que a quadrilha era formada por seis integrantes. Testemunhas confirmaram que um dos criminosos carregava um revólver e o assaltante que morreu, uma pistola .380. No local, a polícia encontrou também projéteis de 9 mm, que a perícia vai determinar se eram de uma submetralhadora ou de uma pistola semi-automática, ambas de uso restrito - que estariam com um terceiro assaltante. Os vigias usavam revólveres de calibre 38. Além dos três assaltantes na linha de frente do embate, outros três teriam dado cobertura. Um táxi foi roubado pelo grupo na fuga. Nenhum assaltante foi preso até o início da noite. "Foi uma ação ousada, porque colocou em risco a vida de muitos passageiros inocentes, em um horário de muito movimento, o que resultou em sete feridos que nada tinham a ver com a situação", disse o delegado Miguel Ferreira da Silva, do 11º DP (Santo Amaro). O delegado explicou que apreendeu os revólveres dos vigias para fazer a perícia e determinar se foi das armas deles que saíram os tiros que acertaram os passageiros e o assaltante morto. "Vamos analisar a conduta de cada um, mas, aparentemente, os vigilantes tentaram proteger as próprias vidas." Outro ponto que o delegado adiantou que vai levantar é o procedimento da retirada do dinheiro na bilheteria. "É preciso saber se era feita nos mesmos horários, se o trajeto era o mais seguro e se a quantidade de funcionários era a suficiente." O segurança disse que os assaltantes começaram a atirar logo que o segundo vigia, que dava cobertura a quem tirava o malote, saiu da bilheteria, às 11h37. Um vigilante foi atingido no rosto e o outro, em uma das coxas. Segundo o delegado seccional Djair Rodrigues, que comanda as delegacias da zona sul e esteve no terminal para apurar o crime, a retirada do dinheiro da bilheteria era feita diariamente no mesmo horário. O delegado conseguiu a informação com a empresa. No 11º DP, a reportagem tentou falar com o vigia que não foi ferido, mas foi impedida de entrevistá-lo pelo advogado da empresa, que se identificou apenas como Marco Antônio. O advogado disse que um diretor da empresa Transnacional iria à delegacia e se pronunciaria sobre o caso, o que não ocorreu. Por telefone, ninguém na empresa atendeu. ?SENTI MUITA DOR? Uma das vítimas da tentativa de assalto, o deficiente auditivo Cláudio Barbosa da Silva, de 28 anos, só percebeu o que se passava quando viu pessoas atiradas ao chão e sentiu dor no braço esquerdo. "De repente, vi muita gente correndo e senti muita dor. Por ser um lugar de fácil acesso, de duas a três vezes por semana venho ao terminal para me encontrar com outros surdos que estudaram comigo", disse, por meio da linguagem de sinais, traduzida pela irmã, Monica Barbosa da Silva, de 27 anos. Ela foi avisada por um vizinho que trabalha em uma loja no terminal sobre o tiroteio. O tiro foi de raspão e Silva só levou três pontos.

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