Tentativa de saque no Ceasa deixa policiais feridos

Dois policiais do 9º Batalhão (Benfica) ficaram feridos em confronto com uma multidão que tentava saquear alimentos no pavilhão 24 da Central de Abastecimento do Estado do Rio (Ceasa), em Irajá, zona norte, incendiado na última quinta-feira. Três pessoas foram presas pela PM, que reforçou o policiamento no local e usou bombas de efeito moral. Os saqueadores revidaram, atacando a polícia com paus e pedras. O presidente da Associação Comercial dos Produtores e Usuários da Ceasa Grande Rio (Acegri), Adílson Duarte, calculou em mais de mil pessoas o número de invasores.Na manhã de domingo, dois mil moradores de cinco favelas da região invadiram os escombros do pavilhão, mas não houve conflito. A polícia chegou a organizar as pessoas em filas. Em julho do ano passado, quando outro pavilhão, o 41, foi destruído por um incêndio, também houve saques. O acidente da semana passada foi o sexto nos 28 anos de funcionamento da central. Prédios antigos, em desconformidade com a legislação vigente, e estoques de materiais inflamáveis tornam o risco de fogo cada vez maior.O coordenador da Vigilância Sanitária, Cláudio Pimentel, afirmou que os alimentos retirados dos escombros do pavilhão 24 não apresentam condições próprias para o consumo. "O consumo pode causar náusea, vômito, diarréia e desidratação. As crianças e os idosos são os mais afetados", alertou. "Pode haver contaminação por bactérias. A água traz contaminantes das ferragens e o calor altera as características dos produtos", acrescentou Pimentel.Alheios aos riscos para a saúde, crianças, adultos e idosos "garimpavam" alimentos soterrados no que sobrou do prédio incendiado, no domingo. "Tem arroz à beça. A gente leva o que está bom e deixa o resto", contou um homem desempregado, que tem seis filhos. "Eu estou com fome, quero leite para os meus filhos", explicou uma mulher.A área invadida estava isolada, pois ainda há risco de desabamento. O pavilhão 24 abrigava 46 boxes, dos quais 30 foram atingidos pelo fogo. A maioria possuía em seus estoques materiais inflamáveis. Entre as lojas do pavilhão, sete estocavam banana, cinco trabalhavam com cereais e material de higiene e limpeza, duas com ovos, uma com aves e uma com mamão. Havia ainda uma indústria de suco de laranja, uma lanchonete e um restaurante.Uma agência bancária também foi afetada. Pelos cálculos do diretor-presidente interino da Ceasa, Élio Ferreira de Souza, o incêndio destruiu 80% do prédio, cuja área total é de 8 mil metros quadrados.

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