Tentativa de seqüestro em SP acaba com três mortes

Uma perseguição policial durante tentativa de seqüestro acabou com três mortos na zona sul de São Paulo: o diretor de Tecnologia da Embratel, Paulo de Souza Moraes, de 57 anos, o policial militar Wellington Rodrigues da Silva e Roni Marques Costa, integrante da quadrilha que pretendia levar Moraes e a filha dele, Camilla, de 30 anos. Engenheira de alimentos, ela foi atingida num dos joelhos. A polícia trabalha com a hipótese de seqüestro relâmpago.De acordo com informações do capitão da PM Djalma de Lima Santos, o executivo e a filha seguiam pela avenida dos Bandeirantes, num Volvo S-40 azul-marinho, em direção ao aeroporto de Congonhas, onde Mendes tomaria um vôo para o Rio. Os dois foram abordados pelos bandidos, que estavam em um Gol prata, roubado na noite de domingo. Moraes e a filha foram retirados do Volvo e levados para o Gol. Um dos criminosos assumiu a direção do carro do executivo. Na calçada, um policial militar à paisana percebeu a movimentação e acionou o Centro de Operações da PM. Dois carros da corporação começaram a perseguir os veículos. Na altura da Rua Sócrates, na Chácara Flora, o Volvo bateu em um poste e, posteriormente, no Gol, que seguia do seu lado. O bandido que viajava no primeiro carro se juntou aos demais. Pouco à frente, nas proximidades da avenida Nossa Senhora do Sabará, os PMs e os criminosos iniciaram uma troca de tiros. O policial Silva foi atingido na cabeça e levado ao Hospital Regional Sul, onde teve morte cerebral confirmada no início da tarde. Outro carro da PM continuou a perseguição.Dentro do Gol Moraes, de acordo com o depoimento de Camilla, tentou desarmar um dos assaltantes, que teria dito que iria molestá-la. O executivo acabou levando um tiro à queima-roupa no pescoço. Camilla foi ferida na confusão e encaminhada para o Hospital Sírio-Libanês, no centro, onde permanece internada. Na esquina entre a avenida Guarapiranga e a rua André de Leão, o Gol bateu em dois postes e rodou na pista. Os assaltantes já desceram do carro atirando. Costa foi atingido e morto pelos policiais. Dois comparsas fugiram a pé.Traumatizado, o pai do PM morto, o pastor evangélico Dárcio Rodrigues da Silva, de 52 anos, chorava o tempo todo no hospital. "Se Deus levar meu filho, vai ser muito doloroso. A sociedade perde um bom soldado e eu perco um bom filho", lamentou. Para ele, a polícia precisa ter mais recursos para enfrentar a criminalidade. "Antes, o bandido pensava dez vezes antes de agir. Hoje, a polícia é motivo de chacota dos marginais." Um motoqueiro que viu toda a ação disse que o homem que seguia no Volvo chegou a ser atropelado pelos comparsas ao descer do carro do executivo e entrar no Gol, no qual os outros bandidos levavam as vítimas. "Era tiro pra todo lado e eles (os bandidos) fugiram a toda velocidade na contramão. Tive que jogar a moto em um canteiro e fiquei pelo menos meia hora tremendo até me recuperar", afirmou o motoqueiro, que não quis identificar-se.Segundo a assessoria da Embratel, Moraes, diretor de Tecnologia da Informação da empresa desde fevereiro do ano passado, era engenheiro civil formado pela Universidade de São Paulo (USP), com mestrado pela Universidade de Michigan(EUA). "A Embratel perde um excelente profissional, que exerceu suas atividades com dedicação e, principalmente, dignidade", informou a empresa em nota oficial.

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