Teresópolis suspende fornecimento de água para evitar ocupação irregular

Abastecimento será interrompido em 93 pontos da cidade que estão sujeitos a enchentes e deslizamentos

Bruno Boghossian, O Estado de S. Paulo

20 de janeiro de 2011 | 19h50

TERESÓPOLIS - Com o objetivo de evitar que áreas devastadas pelo temporal da semana passada, em que morreram 754 pessoas na região serrana, sejam ocupadas novamente, a Defesa Civil de Teresópolis determinou que o fornecimento de água seja interrompido em 93 pontos da cidade sujeitos a enchentes e deslizamentos. Nas comunidades onde tubulações foram danificadas pela tempestade, caminhões-pipa atenderão os moradores, mas a rede de abastecimento não será restabelecida.

 

"Em alguns locais, a Defesa Civil afirma que não é interessante retomar o fornecimento de água, pois os moradores serão removidos. Nesses casos, não queremos incentivar a ocupação irregular com a oferta do serviço", afirmou o presidente da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio (Cedae), Wagner Victer.

 

A lista das regiões que terão o fornecimento de água cortado ainda não foi enviada à Cedae, mas a prefeitura afirma que pretende aplicar um decreto editado em 2009, que exigia que as concessionárias de serviços públicos não fizessem ligações em 93 áreas de risco apontadas em um levantamento feito pela Defesa Civil.

 

A Cedae afirma que já restabeleceu o abastecimento de água em 95% do município de Teresópolis. Os 5% restantes são áreas em que a tubulação apresenta vazamentos que serão reparados ou locais em que o fornecimento não será retomado, segundo a determinação da prefeitura. Victer garantiu que a empresa cortará o abastecimento das áreas de ocupação irregular que hoje recebem água.

 

Cerca de 30 pontos de Teresópolis que estão parcialmente isolados podem não ter seus acessos desbloqueados. A decisão seria uma forma de obrigar os moradores a deixar as áreas consideradas de risco, segundo o secretário municipal de Segurança Pública, Laet Moutinho.

"Comunidades nas localidades de Santa Rita, Granja Florestal e Campo Grande não terão seus acessos liberados nunca, pois a dimensão dos deslizamentos foi enorme. Temos então uma oportunidade para o poder público retirar as ocupações irregulares e dar condições dignas à população", afirmou o secretário.

 

A prefeitura ainda não estabeleceu prazos para essas remoções, mas as autoridades dos municípios da região serrana e do governo do Estado darão início hoje ao cadastramento das famílias desabrigadas pelo temporal da semana passada, que receberão até R$ 500 por mês para encontrarem uma nova moradia.

 

A remoção de moradores de áreas de risco, no entanto, faria crescer ainda mais a procura por novas residências. Só em Teresópolis, há mais de 11 mil desabrigados ou desalojados, e o município apresentava um déficit habitacional de mil casas antes da tragédia. Além disso, construção de novas moradias levaria pelo menos mais 4 meses, o que pode obrigar a prefeitura a alocar as vítimas do temporal em tendas doadas pelo Rotary Club, semelhantes às usadas pelas vítimas do terremoto no Haiti, no ano passado.

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