Termina greve de ônibus em São Paulo

Os motoristas e cobradores da Viação Expresso Paulistano decidiram em assembléia, durante a madrugada, suspender a greve e retirar os ônibus, que estão estacionados há dois dias na frente da Câmara Municipal, no centro de São Paulo. Os veículos estão sendo removidos de forma lenta e muitos estão com os pneus furados e sem combustível.A categoria decidiu ainda não realizar uma greve solidária, que estava marcada para começar às 7 horas desta quarta-feira, e provocaria a paralisação geral do transporte coletivo da cidade. Só nesta madrugada, pelo menos 14 veículos foram guinchados para as garagens da empresa. Muitos ônibus estão sendo avariados, pois os furos nos pneus não permitem reparo no local. Um técnico estima que pelo menos 100 ônibus ainda ocupam uma área que vai da Praça da República até a Câmara Municipal. De qualquer maneira, já há pistas livres para o tráfego normal de veículos. Os ônibus estão nos acostamentos.O objetivo da manifestação da Viação Expresso Paulistano foi protestar contra o não pagamento de salários atrasados e benefícios trabalhistas como o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). A empresa tem até as 16 horas de hoje para pagar o adiantamento quinzenal e até o dia 3 de dezembro para depositar a primeira parcela do 13º salário.Uma decisão da juíza do Tribunal Regional do Trabalho, Vânia Paranhos, determinou a volta dos trabalhadores e o pagamento, em 48 horas, dos salários atrasados. A medida tornou indisponíveis os bens dos sócios da Expresso Paulistano e fez da São Paulo Transporte (SPTrans) depositária dos seus bens. Se não cumprir a decisão, a empresa terá de pagar R$ 50 mil.A Eletrobus, outra empresa em greve, não está incluída na ação por não ser considerada tecnicamente paralisada. A secretaria se compromete a emprestar R$ 30 mil ao sindicato para comprar óleo diesel e pôr os ônibus em funcionamento. Esse valor seria devolvido à Prefeitura pela viação.Pela manhã, o novo secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto, se reuniu com a direção do Sindicato dos Condutores para discutir a greve das empresas. O encontro acabou sem acordo. Os sindicalistas queriam que a SPTrans interviesse nas empresas paralisadas, o que o secretário garantiu que não faria. O presidente do sindicato da categoria, Edivaldo Santiago, disse que a greve seria mantida. "Não houve nenhum avanço na negociação", afirmou. Após assembléia nesta madrugada, os trabalhadores decidiram encerrar o movimento.Empresários pedem tarifa de R$ 1,91Já os empresários de ônibus de São Paulo reivindicaram ontem ao novo secretário municipal dos Transportes um reajuste da atual tarifa de R$ 1,40 para R$ 1,91. Eles argumentam que esse aumento servirá para equilibrar os custos do sistema e honrar salários e o 13.º da categoria. Tatto, que assumiu o cargo oficialmente ontem, esteve reunido já no primeiro dia de trabalho com funcionários e patrões, em encontros distintos. Segundo o presidente do Transurb, Sérgio Pavani, as empresas não tem dinheiro para quitar o 13.º salário e esse valor seria apenas um ?reajuste?, que teria como base um estudo feito para o Transurb, em abril, pela Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras. Os dados apontavam, na época, que a tarifa deveria ser fixada entre R$ 1,52 e R$ 1,58 para cobrir os custos. O estudo era um contraponto ao realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas para a Prefeitura, que sinalizava a tarifa ideal para cidade entre R$ 1,27 e R$ 1,32. Para o governo, a proposta dos empresários é "exagerada" e, se houver o reajuste, ele será dentro de um "critério justo". Tatto descartou a possibilidade de aumento para R$ 1,91. "A população não suporta esse valor", disse. O secretário não estabeleceu prazo para que a o governo diga se haverá ou não aumento de tarifa. Durante a reunião, empresários disseram que com "o novo secretário não há espaço para negociar". Em tese, esse endurecimento com os empresários seria a tática do governo para acabar com o entrave no setor desde o início da gestão de Marta Suplicy (PT).

Agencia Estado,

27 de novembro de 2002 | 09h24

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