Termina rebelião de presos em BH

A rebelião no Centro de Remanejamento de Presos da Secretaria de Segurança Pública de Minas (Ceresp), no bairro Gameleira, região oeste de Belo Horizonte, foi encerrada no início da tarde desta terça-feira, depois de 26 horas de muita tensão. Cerca de 350 dos 420 presos da unidade, que iniciaram o motim por volta das 11h30 da última segunda-feira, concordaram em libertar os cinco reféns - quatro agentes penitenciários e um policial civil -, em troca da promessa de transferência de presos e da revisão de penas. Segundo a Polícia Militar, durante a rebelião 80% das celas das quatro alas do presídio foram destruídas.Inicialmente, os presos fizeram nove reféns durante o banho de sol, mas liberaram três ainda na tarde de terça-feira, um deles o policial Marden Barbosa, que apresentava ferimento na cabeça provocado por conta de golpes de barra de ferro. De madrugada, os rebelados voltaram a colocar fogo em colchões e a danificar as instalações do Ceresp, o que, por pouco, não ocasionou a invasão do prédio por cerca de 250 policiais militares e civis.Na manhã de hoje, uma comissão de quatro detentos reuniu-se com o juiz da Vara de Execuções Criminais da capital, Cássio Salomé, e com promotores para negociar as reivindicações. Um sexto refém foi libertado pois estava passando mal e, por volta das 13h, o motim acabou, com a liberação dos cinco restantes. Ficou acertado que 56 presos serão transferidos ainda esta tarde - 50 para a Penitenciária Dutra Ladeira, na região metropolitana, e seis para presídios do interior. Outros seis internos serão colocados em liberdade, já que têm direito a cumprir o resto de suas penas em regime aberto.O Ministério Público também se comprometeu a analisar, em 10 dias, 130 processos de presos que garantiram estar confinados injustamente. O Ceresp foi construído no ano passado pelo governo estadual, com obras orçadas em R$ 3,1 milhões. A unidade deveria ser de segurança máxima, com paredes recheadas com telas de aço, circuito interno de televisão e controle automático das portas das celas. Apesar disso, tem sido palco de rebeliões e fugas cada vez mais freqüentes. Também há denúncias de que o material utilizado na construção do presídio não é de qualidade.

Agencia Estado,

07 de agosto de 2001 | 14h10

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