Termina rebelião de presos em Santo André

Terminou por volta das 23h desta terça-feira a rebelião de presos no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Santo André, no grande ABC paulista. Após uma tentativa de fuga frustrada, os presos se rebelaram e fizeram cinco funcionários reféns. Com a chegada da juíza-corregedora Milena Dias, que garantiu a não invasão da Tropa de Choque da Polícia Militar, os três carcereiros que ainda eram mantidos reféns foram liberados pelos presos, que entregaram duas pistolas, com dois carregadores cada. Outras 20 armas foram localizadas no CDP e duas metralhadores em um matagal ao lado do prédio. A ação ousada começou às 18h45. Aproximadamente 50 presos que estavam no pátio passaram a correr em direção ao portão, usando uma tática que, na gíria, é chamada de ?cavalo doido?. Muitos estavam armados e atiraram contra os policiais militares das guaritas. Rajadas de metralhadoras também foram disparadas em direção aos policiais por bandidos que estavam do lado de fora presídio, dando cobertura ao esquema de fuga. Mas os policiais revidaram e conseguiram balear dois presos. Um deles foi atingido na coxa e está fora de perigo. O outro, baleado na cabeça, morreu ao dar entrada no Centro Hospitalar de Santo André. Os nomes dos detentos não foram divulgados.Segundo o soldado Wilson Leão, que participou do confronto, os presos tinham pelo menos 20 armas, entre revólveres e pistolas. ?Não sei como consegui escapar com vida?, disse Leão. Ninguém conseguiu fugir, mas quando eram conduzidos de volta às celas, eles fizeram os agentes reféns. Segundo o delegado do 4.º DP de Santo André, Roberto Von Haydin, que também acompanhou as negociações, os presos exigiam apenas que a Tropa de Choque da PM não entrasse no presídio. Diante da garantia de que os militares não seriam acionados, os rebelados libertaram os reféns e entregaram as armas.Hoje a direção do presídio realizará revista nas celas. No pátio do presídio foram encontradas uma ?teresa? ? corda improvisada com lençóis ? e uma escada feita com pedaços de madeira e de ferro, que seriam usadas para escalar as muralhas. A polícia também achou duas metralhadoras escondidas no matagal próximo ao presídio. Segundo o delegado, o CDP da cidade foi inaugurado há 1 ano e 5 meses e neste período já foram registradas várias fugas. O CDP possui capacidade para abrigar 500 detentos, mas havia mais de mil no momento da tentativa de fuga, entre eles um dos seqüestradores do prefeito Celso Daniel, assassinado no início do ano.

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