Termina rebelião em Iaras, motins continuam em 22 presídios

A rebelião da Penitenciária Orlando Brando Filinto, em Iaras, no interior de São Paulo, foi controlada nesta tarde, segundo informou a Secretaria de Administração Penitenciária. Outros 22 presídios paulistas continuam rebelados, com um total de 112 reféns, segundo balanço parcial divulgado pelo governador do Estado, Cláudio Lembo, juntamente com os secretário de Segurança Pública, Saulo de Castro, e de Administração Penitenciária, Nagashi Furukawa, em entrevista coletiva.A série de ataques e rebeliões já deixou 30 mortos. O presos das unidades prisionais de Ribeirão Preto, Avaré, Pirajuí, Araraquara, Flórida Paulista, Lucélia, Lavínia, Mogi das Cruzes, Suzano, Marabá Paulista, Guareí, Campinas, Diadema, Franco da Rocha, Riolândia, Potin, Itirapina, Presidente Prudente, Irapuru, São José do Rio Preto e Paraguaçu Paulista estão rebelados. Em Lavínia, duas penitenciárias estão rebeladas.Em Iaras, os policiais da Tropa de Choque da Polícia Militar entraram no presídio por volta das 14 horas, libertando os 12 agentes penitenciários que estavam em poder dos presos desde a tarde de sexta-feira, 12. Também foi controlado, no início da tarde, o motim na Penitenciária I de Avaré, que começou por volta das 15 horas desta sexta-feira. Os doze reféns foram libertados após a entrada da Tropa de Choque no presídio. Detentos de outra unidade prisional da cidade continuam rebelados.A megarrebelião é uma reação do PCC às transferências de mais 700 presos para a Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, entre eles Marcos William Herbas Camacho, o Marcola, líder da facção. As ações começaram na noite de ontem.AtaquesOs 55 ataques a delegacias e policiais do Estado de São Paulo organizados pela facção entre a noite de sexta-feira, 12, e a manhã deste sábado, deixaram pelo menos 30 mortos, sendo dois civis, segundo balanço parcial divulgado pela Secretaria de Segurança Pública do Estado.Desses ataques, 28 foram feitos contra a Polícia Militar, 20 contra a Polícia Civil, quatro deles contra a Guarda Civil Metropolitana e três ataques contra a Secretaria de Segurança Pública. Das 30 pessoas assassinadas, onze eram policiais militares, cinco da Polícia Civil, três eram da GCM, quatro agentes penitenciários e dois eram civis e cinco eram bandidos. Dezesseis pessoas foram presas.ReaçãoSaulo de Castro Abreu Filho, secretário estadual de Segurança Pública, afirmou em entrevista coletiva na manhã de sábado que a série de ataques é uma reação do crime organizado à atuação do governo. O secretário confirma que os atentados foram realizados pela facção criminosa e explica que o grupo tenta sem sucesso demonstrar força diante das últimas ações das autoridades."Nós recomendamos que eles não ajam deste jeito, porque o PCC nunca venceu em São Paulo. No final, a cena que vai ficar é a da rendição, da tropa de choque tendo que invadir, o que nós estamos tentando evitar", afirmou. Abreu Filho também pediu a ajuda do Ministério Público e do Judiciário no combate ao crime organizado.Esta é a segunda maior ocorrência de rebeliões simultâneas na história do Estado. Em fevereiro de 2001, 24 penitenciárias participaram de motins organizados pelo PCC. O movimento deixou pelo menos 16 presos mortos e teve a participação de 25% dos 94 mil detentos do Estado.

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