Termina sequestro com três reféns no interior

Dayane foi pega de refém pelo operário Antonio Marcos de Souza, 31 anos, que aproveitou a chegada da mãe

Chico Siqueira, de O Estado de S. Paulo,

15 Fevereiro 2009 | 21h10

O Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), da Polícia Militar, conseguiu, por meio de negociação, libertar a arquiteta Dayane Paula Moraes, de 23 anos, que era mantida refém desde as 3h40 da madrugada em sua casa, na cidadezinha de Guaraçaí, a 610 quilômetros de São Paulo.   Dayane foi pega de refém pelo operário Antonio Marcos de Souza, 31 anos, que aproveitou a chegada da mãe de Dayane, a comerciante Suzy Mari Bizzy, 50 anos, para render cinco pessoas e entrar na casa. Ao chegar, Suzy e dois amigos foram surpreendidos por Souza, que estaria armado de uma pistola. Os dois amigos foram liberados e Suzy, Dayane e uma amiga, a universitária Larissa de Souza Mendes, foram rendidas e levadas cada uma para cada quarto da casa. Larissa conseguiu levar um celular, do qual chamou a polícia.   Chamada, a PM iniciou as negociações. As 6h50, Souza soltou Larissa, recebendo em troca um colete a provas de balas. Na Saída, Larissa comentou com os PMs: "Ele me disse que fui solta por eliminação da casa do BB".   O comentário segundo as polícias civil e militar refletia o estado de espírito de Souza, que não tentou praticar assalto nem conhecia nenhuma das vítimas. "Ele não fala nada, não explica por que entrou na casa, nem quais são seus objetivos. Parece que ele quer zoar", contou o delegado Moacir Dagoberto da Silva, de Guaraçai, que acompanhava o desenrolar do caso.   Pouco depois de receber o colete, Souza libertaria Suzy, mas com a condição de a imprensa ser chamada para acompanhar os fatos. "Não sei o que ele quer, não o conhecemos; ele diz que não fará mal a ninguém, mas se recusa em soltar minha filha", disse Suzy aos Pms.   Às 11 horas, Souza pediu comida, um peixe que foi comprado e levado por Suzy até a casa. As 17 horas, a PM levou o tio de Souza, o tenente aposentado da Polícia Rodoviária Joaquim Silva, que entrou, conversou com o sobrinho, mas não conseguiu fazer com que ele libertasse a refém. A partir de então, as negociações começaram a ser feitas pelo Gate.   Motivo não é identificado   Até às 21 horas, a polícia não sabia dizer quais motivos levaram Souza a fazer as mulheres de reféns. Entre os moradores da cidadezinha, de 8 mil habitantes, havia comentário de que Souza teria trabalhado de servente numa construção projetada por Dayane que costumava visitar o canteiro de obras.   "Acho que ele ficou mesmo encantado com moça. Numa das vezes, que ela foi lá, ele chegou a comentar que gostaria de ficar com ela", disse Lucas Batista de Oliveira, que trabalhou de pedreiro na construção de uma escola junto com Souza. "Mas chegou agora o começo do mês, ele sumiu", disse.   A família de Dayane, assim como a Polícia, nega qualquer conotação passional com o sequestro. "Ela estava fora, se mudou para cá há menos de um mês e não conhecia esse rapaz, ninguém lá conhecia esse rapaz", contou uma tia de Dayane, Lucia Moraes. "O povo da cidades fala demais", disse.   O seqüestro chamou a atenção dos moradores, que em 42 anos nunca tinham presenciado crime semelhante. Uma quadra da rua Antonio Galera Garri foi fechada e centenas de curiosos aguardavam o desfecho nas imediações.   Muitos conheciam Souza. "Ele era um rapaz humilde, parecia gente boa; nunca imaginei que ele fosse capaz de uma coisa dessas", contou a dona de casa Marilda Rampazolli, vizinha do tio de Souza, um comerciante da cidade, que hospedava o moço.   De acordo com a PM, Souza teve passagens por furto e posse de entorpecente e teria cumprido pena na Penitenciária de Mirandópolis.

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