Termina seqüestro em McDonald's em Poços de Caldas

Apesar de armados, criminosos se entregam sem reagir; apenas uma refém foi ferida durante o incidente

Tatiana Fávaro, de O Estado de S. Paulo,

04 de dezembro de 2007 | 17h11

Após manterem seis reféns em cárcere privado durante ação que durou 15 horas, dois menores de idade e os supostos assaltantes Alan Santos da Silva e Darlan Daniel de Souza, ambos com 19 anos, foram presos nesta terça-feira, 4, pelas polícias Civil e Militar de Poços de Caldas e Belo Horizonte na maior ocorrência do tipo já registrada naquela região, no sul de Minas Gerais, segundo informações da PM.  Assaltantes libertam 3º refém no McDonald's em Minas GeraisGate entra no McDonald's para negociar com seqüestradoresLadrões se rendem, mas seqüestro continua em MG De acordo com o delegado regional de Poços de Caldas, Lacy de Souza Moreira, os suspeitos responderão pelos supostos crimes de assalto a mão armada e cárcere privado. Os supostos assaltantes mantiveram seis funcionários da única lanchonete do McDonald's na cidade (além de uma banca de sorvetes da rede no shopping) reféns após tentativa de assalto. A loja fechou as portas às 23 horas de segunda. Os quatro suspeitos chegaram ao local por volta de 1 hora desta terça. Três homens entraram na lanchonete e um deles, um menor de idade, ficou dentro de um Fiat Uno furtado no último sábado, de acordo com a Polícia Civil.  Após aproximadamente 20 minutos do início da ação, policiais militares tentaram cercar o carro furtado. O menor de idade tentou fugir, bateu o carro a 30 metros da lanchonete, saiu correndo e entrou na loja. Foi o início da tensão para os funcionários da rede. Segundo informou o tenente André Luis da Silva, do Pelotão de Choque Rotam da Polícia Militar de Poços de Caldas, os suspeitos dispararam tiros contra paredes e vidraças durante a madrugada. A gerente da lanchonete, Mirela Silvino Rossi, 27 anos, foi a única a ser ferida. Segundo a PM, o ferimento no braço esquerdo foi causado por arma de fogo. Nesta terça, após os suspeitos liberarem as últimas três vítimas, por volta de 16h30, Mirela foi atendida no centro cirúrgico da Santa Casa de Misericórdia de Poços de Caldas e, segundo informaram funcionários do hospital, passava bem. Durante a madrugada, a polícia cortou a energia elétrica e a água do prédio. Pela manhã, policiais entraram na loja, que fica na esquina das ruas Assis Figueiredo e Prefeito Chagas, duas das principais vias da cidade. Os suspeitos mantinham as vítimas em um almoxarifado, no segundo andar do prédio. As negociações entre os supostos assaltantes e o Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) de Belo Horizonte, que enviou dez homens para trabalhar com os 60 policiais militares, dez civis e dez guardas municipais de Poços de Caldas, começaram às 8h30 de ontem e foram tensas. O primeiro a sair do prédio, por volta de 9h40, foi o menor que conduzia o Fiat Uno, pois estava com uma perna ferida. Depois dele, o funcionário Anderson Luciano da Silva, 18 anos, conseguiu deixar o local. Ele disse, segundo policiais, que se escondeu em um banheiro durante a ação dos supostos assaltantes e aproveitou quando os suspeitos saíram do piso térreo para o segundo andar para sair do esconderijo. Um segundo funcionário, Juliano de Carvalho, foi liberado por volta de meio-dia, em troca de comida. Segundo informou o capitão Alexandre José da Silva, da Polícia Militar de Poços de Caldas, os suspeitos chegaram a exigir carro para a fuga. "Não exigiram mais que isso porque sabem da realidade local", disse. Após as 14 horas, parentes dos suspeitos começaram a chegar ao local. "Usamos o escalonamento do uso da força. Tentamos vencer pelo cansaço, usamos gás lacrimogêneo, contamos com a calma dos reféns - sobretudo da gerente da loja, que estava ferida - usamos sirenes para intimidar, e negociamos o máximo que pudemos", disse o tenente André da Silva, da Rotam. O momento mais tenso das negociações ocorreu, segundo ele, por volta de 15h30, quando parte da equipe do Gate invadiu uma parte do almoxarifado e os suspeitos, que ainda faziam três pessoas reféns, entraram em um compartimento com um banheiro. "Foi então que eles fizeram mais quatro disparos contra os policiais", disse.Nesta terça, após ser preso, um menor confessou que o grupo conseguiu duas carabinas e dois revólveres (calibres .22 e .38) em São Paulo. "Com dinheiro, lá você consegue o que quiser", afirmou. Um sexto suposto funcionário, que saiu do McDonald's com uma arma presa à cueca, será investigado pela polícia. Medo Comerciantes de grandes magazines, pequenas lojas, restaurantes e bares do centro de Poços de Caldas fecharam as portas de seus estabelecimentos durante todo o dia. "Meu prejuízo foi de pelo menos R$ 5 mil", afirmou o dono de ótica Benedito Pessoa do Prado Neto, 59 anos, morador de um prédio vizinho ao McDonald's há 35 anos e dono de comércio na mesma rua. "Isso nunca aconteceu em Poços. Nasci e fui criado aqui. Agora minhas filhas é que telefonaram de Campinas e São Paulo para saber se está tudo bem. Um absurdo, estamos todos assustados", afirmou. O delegado seccional disse que o caso foi atípico. Apesar do susto, ao menos 500 curiosos formaram pequenos grupos nos acessos às ruas do cruzamento no qual está localizada a lanchonete. "São 13h20 e cheguei aqui às 10 horas. Quero ver o desfecho disso porque moro em Poços faz 50 anos e nunca houve um caso de tamanha repercussão", disse a dona de casa Alice Ribeiro, 69 anos. "Nunca sequer fui assaltado aqui nessa cidade e agora a gente vê uma coisa dessas. Dá medo", afirmou o aposentado Antônio Pereira da Silva, 61 anos. O McDonald's informou nesta terça, por meio de assessoria, que vai dar assistência aos funcionários e parentes das vítimas e vai colaborar como puder com as investigações. A loja no Centro de Poços de Caldas permanecerá fechada para reparos nos próximos dias. Matéria ampliada às 19h48

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