Termina seqüestro intermediado por PM

O policia militar Gerenaldo Almeida da Costa, de 29 anos, da 3ª Companhia da Polícia Militar de Caçapava, no Vale do Paraíba, confessou ter participado do seqüestro do empresário Ronaldo Ferrari, de 45 anos, ocorrido na manhã de sábado. O empresário, dono de um depósito de material de construção em Caçapava, foi levado por dois homens, quando saía de casa para o trabalho. A ação da quadrilha foi presenciada pela mulher do seqüestrado, Gislaine Ferrari. Depois de ficar quatro dias em poder dos seqüestradores, e passar por dois cativeiros, a vítima foi libertada nesta madrugada, antes do pagamento do resgate. "Houve falha nas negociações e eles deixaram pistas para a polícia. Quando ficaram sabendo da prisão do primeiro envolvido, libertaram a vítima e fugiram", contou o diretor do Deinter do Vale do Paraíba, Antonio Carlos Gonçalves da Silva. Uma equipe de policiais da Delegacia Anti-Seqüestro (DAS) do Vale do Paraíba conseguiu localizar o cativeiro depois da prisão do policial militar, na noite de terça-feira. Inicialmente o PM negou as acusações, mas depois indicou o local do cativeiro, na zona rural de Monteiro Lobato, cidade próxima a Caçapava. Segundo os policiais que foram até a casa onde a vítima foi mantida, Gerenaldo disse que ele era responsável por negociar com a família e avisar "se sujasse, mais nada". No barraco improvisado, nenhum outro integrante da quadrilha foi localizado. Com o PM, também foi presa em flagrante a dona-de-casa Valdenice Rodrigues Silva, de 22 anos. A polícia ainda investiga a participação dela no seqüestro. Quando os policiais estavam a caminho do cativeiro, encontraram, andando pela estrada da zona rural, o empresário. Ao avistar as luzes dos carros, Ronaldo se refugiou num matagal na tentativa de se esconder. "Quando eles me libertaram decidi seguir a pé, fiquei com medo de pegar carona com algum carro", contou o empresário, que andou por 12 quilômetros para depois ser localizado pela equipe da DAS. Já na delegacia, Ronaldo contou que foram quatro dias difíceis, mas que em nenhum momento foi agredido. "Eles até que me trataram bem. Diziam que tudo ia dar certo e eu seria libertado". Mas em alguns momentos, a quadrilha também fez ameaças, se fazendo passar por integrantes do grupo do seqüestrador Wanderson de Paula Lima, o Andinho. "Eles diziam que eram do mesmo grupo que matou a cigana de Campinas. Falavam isso toda hora". O irmão da vítima, Wilson Ferrari, ficou surpreso com a participação de um policial militar. Foi ele quem negociou, em todos os momentos, com Gerenaldo. "As ligações eram feitas de cidades próximas a Caçapava, mas eu não podia imaginar que era de um policial". Wilson não quis revelar o valor do resgate combinado com a quadrilha, que não chegou a ser pago. A família ficou em estado de choque. A mulher do empresário, Gislaine, não conseguiu descrever o desespero dos familiares. "Não dá para contar como é que a gente fica". A polícia sabe do envolvimento de outras três pessoas no seqüestro. O policial militar foi levado para o presídio Romão Gomes, na capital paulista. Segundo o comando da PM de Caçapava, desde dezembro do ano passado havia a desconfiança de que Gerenaldo estaria envolvido em crimes. "Só não tínhamos provas", disse o comandante, capitão Nilson Souza Silveira. O policial havia sido tirado do serviço junto à comunidade no mês de março, e fazia apenas trabalhos administrativos. "Não foi surpresa para nós".

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