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Terremoto atinge região da fronteira entre Brasil e Peru

Em Rio Branco, no Acre, várias pessoas foram para as ruas; epicentro foi a 173 km da cidade peruana de Iberia

Itaan Arruda, Especial para O Estado

24 Novembro 2015 | 22h42

Atualizada às 23h21

Um abalo sísmico de 6,9 pontos de magnitude atingiu nesta terça-feira, 24, o Peru, com epicentro a 175 quilômetros da cidade de Iberia, sudoeste do país. Às 20h45, pelo horário de Brasília, o evento foi registrado pela Rede Sismográfica Global (Iris-GSN) e sentido em quase todas as cidades do Acre. Também houve relatos de tremores leves nos Estados vizinhos de Rondônia e Amazonas.

O escritório geológico dos Estados Unidos divulgou que o território mais bruscamente atingido se encontra em uma área peruana de floresta, habitada por menos de mil pessoas. Não houve relato de nenhum registro de vítimas ou prejuízos mais graves em propriedades tanto no Peru como no Brasil.

Em Santa Rosa do Purus, um município acriano isolado, os relatos de abalos sísmicos começaram já à tarde. O primeiro foi às 16 horas, com magnitude de 4 graus; o segundo às 20h50, com magnitude de 7,3 graus, e o terceiro às 21h44, de 4,9 graus. O registro foi feito pelo horário de Brasília no Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP).

Em vários pontos da capital, Rio Branco, o tremor chamou a atenção da população local. Em universidades, alunos saíram rapidamente das salas de aula assustados com o fenômeno. Nas redes sociais, vários vídeos mostravam produtos caindo de prateleiras e, em outros, água se movendo em piscinas. 

Para especialistas, trata-se de um episódio raro. “O movimento da placa tectônica de Nazca gerou uma situação incomum para a região”, afirmou o professor de Ciências Ambientais da Universidade Federal do Acre, Foster Brown. 

O comandante do Corpo de Bombeiros do Acre, Carlos Gundim, afirmou ao site G1 que não havia registro de danos em Rio Branco. “Apenas pessoas assustadas pedindo fiscalizações em prédios.” Em Porto Velho, a população relatou o esvaziamento de prédios mais altos. Mas em nenhum momento houve relatos de vítimas ou feridos. “O fato de o epicentro ter sido a mais de 600 quilômetros foi importante para não ter acontecido algo muito mais grave”, ressalta Foster Brown.

Outro ponto importante foi que a parte mais violenta do abalo se concentrou a 592 km de profundidade, o que favorece a dissipação da energia antes de chegar à superfície. Um terremoto de 6,9 pontos de magnitude libera a mesma energia que 17 bombas atômicas similares a que destruiu a cidade japonesa de Hiroshima em 1945 – também o equivalente à explosão de 335.805 toneladas de TNT.

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