Terror choca brasileiros na fronteira com o Paraguai

Um clima de terror está dominando o ambiente na pacata cidade de Paranhos, a 582 quilômetros de Campo Grande, extremo sul do Mato Grosso do Sul, fronteira com o Paraguai. Uma família inteira de agricultores brasileiros que morava na Fazenda Bueno Amigo, no lugarejo paraguaio conhecido por Ype-Hú, foi assassinada a pauladas. Policiais paraguaios que atenderam a ocorrência acabaram matando dois outros brasileiros no local e deceparam a tiros a mão esquerda de um terceiro, que está internado em estado de choque no Hospital Municipal de Paranhos.As vítimas da chacina são Zeni de Matos Gamarra, 24 anos, grávida de sete meses e seus filhos Julinho Gamarra de 11 anos, Júnior César Gamarra de 7 anos e Juliana de Matos Gamarra de 5 anos, que foram enterradas sábado à tarde no cemitério Municipal de Paranhos, ao lado da mãe. Tudo aconteceu no final de sexta-feira, Dia de Finados. A notícia chegou em Paranhos através de empregados da Bueno Amigo, que conseguiram fugir, sob intenso tiroteio.Policiais brasileiros não tiveram acesso ao local e estão aguardando equipes de técnicos paraguaios, que chegarão amanhã de Assunção, para mais informações sobre o caso. Testemunhas disseram à polícia brasileira em Paranhos que os corpos da gestante e seus três filhos foram retirados à força da fazenda, e houve troca de tiros entre os acompanhantes do funeral e a polícia paraguaia. Dois brasileiros foram mortos com vários tiros pelos policiais paraguaios e não haviam sido identificados até hoje. Um terceiro teve a mão esquerda decepada por tiros. É João Pereira da Silva, que deu entrada ao hospital, sábado depois das 16h. Ele está em estado de choque, segundo informações de funcionários do hospital, e não consegue saber nem mesmo o próprio nome, sem condições de prestar informações sobre a chacina.Existem outras versões da tragédia, mas nem mesmo Luiz Gamarra, marido de Zeni e pai das crianças, pode confirmar, pois também está em estado de choque. Ele foi transportado da Bueno Amigo para Paranhos e está em casa de parentes "com os olhos parados no tempo e sem pronunciar uma única palavra", conforme disse uma tia dos menores assassinados que preferiu não ser identificada. Alegando não terem informações claras sobre a tragédia, policias civis e militares brasileiros, também evitam comentar o caso e esperam que as autoridades paraguaias esclareçam tudo.Comentários que circulam em Ype-Hú - que é separado de Paranhos apenas por uma avenida - insistem em defender os policiais paraguaios.O mais veiculado deles é de que quando os soldados da Polícia Nacional do Paraguai chegaram na Bueno Amigo para atender a ocorrência, estavam à paisana e foram confundidos com os autores da chacina. Os dois lados trocaram muitos tiros, conforme comentam e dois agricultores brasileiros acabaram mortos. A polícia paraguaia não confirma nem desmente essa versão, antes da palavra final da equipe que vem de Assunção.

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